México detém 86 imigrantes ilegais

Autoridades intensificaram vigilância depois do massacre de 72 imigrantes ilegais, incluindo ao menos dois brasileiros, em agosto

EFE |

As autoridades migratórias mexicanas interceptaram 86 centro-americanos e caribenhos imigrantes ilegais em duas operações no Estado de Sonora, que faz fronteira com os Estados Unidos, informaram fontes oficiais.

O Instituto Nacional de Migração (INM) informou que a primeira operação, registrada em um trecho da estrada Hermosillo-Pesqueira, foram encontrados 50 guatemaltecos em um ônibus, 39 homens e 11 mulheres. Além disso, a polícia descobriu um segundo grupo, com 36 imigrantes, no interior de um caminhão de carga na estação de inspeção aduaneira de San Antonio, perto da localidade de Cananea, em Sonora.

No veículo estavam 24 adultos guatemaltecos, um homem e duas crianças dominicanas, além de nove salvadorenhos, incluindo três mulheres e uma menor de idade. Os 86 imigrantes foram entregues às autoridades mexicanas, que vão definir suas situações legais junto à Justiça do país.

As autoridades mexicanas intensificaram a vigilância depois do massacre de 72 imigrantes ilegais , incluindo pelo menos dois brasileiros , no Estado de Tamaulipas, em agosto. Os governos dos países das vítimas pediram ao México que proteja todos os imigrantes detidos. O INM garante que as duas operações aconteceram de forma a garantir os direitos humanos de todas as pessoas envolvidas para evitar que enfrentem riscos no território mexicano.

Mortes pelo calor

Nos últimos três meses, 13 mexicanos imigrantes ilegais morreram por insolação e desidratação enquanto tentavam atravessar a fronteira com os Estados Unidos pela zona semidesértica do sul do Estado do Texas, informou uma fonte diplomática.

O cônsul do México na cidade de Laredo, no Texas, Miguel Ángel Isidro, que realiza uma visita à cidade mexicana de Nuevo Laredo, no Estado de Tamaulipas, explicou que as mortes desses imigrantes ilegais aconteceram por causa do forte calor da região. Também segundo a fonte, nesse mesmo período aconteceu a morte de outro mexicano por um acidente automobilístico.

O diplomata lembrou que em 2009 foram registradas 30 mortes, ressaltando que o número mais elevado ocorreu em 2008, com um total de 49 mortos, em sua maioria "pelos efeitos de temperaturas perto de 50 graus". "Sempre que há mortes é lamentável. O objetivo é fazer com que não sejam perdidas vidas na travessia de imigrantes ilegais", disse.

Isidro afirmou que a cada fica mais difícil para os imigrantes atravessar ilegalmente a fronteira para chegar ao país vizinho por causa do calor e pela vigilância na divisa entre os dois países, realizadas pelas diferentes corporações do Departamento de Segurança Nacional dos EUA.

Além dos perigos naturais para os imigrantes, desde 1º de setembro aviões não-tripulados iniciaram voos para vigiar a fronteira entre Texas e México , desde Brownsville até a divisa. Esses aviões têm a missão de detectar traficantes de drogas e armas de fogo, assim como imigrantes ilegais e grupos de traficantes de pessoas.

Segundo números oficiais, no período entre 2000 e 2006, pelo menos meio milhão de mexicanos cruzavam a fronteira de maneira ilegal a cada ano. De acordo com as autoridades americanas, entre 2007 e 2009 a média foi de 150 mil imigrantes mexicanos por ano, 70% menos que a média anual da primeira metade da década, por causa das medidas mais duras contra os imigrantes e pela crise econômica dos EUA.

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