México destina quase US$ 1 bilhão para empresas prejudicadas pela gripe

O governo mexicano informou nesta segunda-feira que destinará, a partir de 15 de maio, US$ 827,6 milhões para financiamentos a empresas afetadas pela gripe suína. Deste total, US$ 376 milhões estão voltados para as micro, pequenas e médias empresas; US$ 150 milhões a empresas do setor turístico, de restaurantes e lazer; 225 milhões ao setor de aviação civil e 75 milhões aos setor de produtos suínos.

BBC Brasil |

Conforme havia anunciado na semana passada, o ministro da Fazenda, Agustín Carstens, disse que a ênfase no financiamento visa garantir que as empresas tenham liquidez necessária para recuperar o que perderam com a crise.

"Mas é necessário que estas medidas se completem com campanhas de sensibilização para que a população regresse o mais rápido possível à normalização de suas atividades produtivas", disse Carstens.

Além dos financiamentos, outra forma de dar fôlego aos setores mais afetados é, segundo o ministro, "pensar em esquemas que permitam às empresas adiar ou reprogramar o pagamento de seus créditos".

Risco continua
Também nesta segunda-feira, o ministro da Saúde do México, José Córdova, afirmou que, embora o número de novos casos de gripe suína no país esteja diminuindo, ainda não é possível dizer que o risco de contágio tenha passado.

Córdova informou que dos 7.000 testes realizados até o momento, 2.059 deram positivo para o novo vírus e, destes casos, foram registradas 56 mortes.

O governo mexicano não divulga a identidade dos falecidos, mas vem buscando características comuns entre eles. Em muitos casos, as vítimas tinham outras doenças associadas, mas os pesquisadores ainda não têm condições de afirmar que este fato tenha causado as mortes. Do que se sabe até o momento, 82% tinha entre 20 e 54 anos e 59% era do sexo feminino.

Embora o governo repita constantemente que a epidemia está diminuindo, nos últimos dias confirmaram-se casos da doença em Estados onde até então não havia nenhum registro que comprovasse a presença do vírus da influenza A (H1N1). Das 32 unidades federativas, apenas três (Baja Califórnia Sur, Coahuila e Campeche) ainda não têm casos confirmados.

Ajuda psicológica
Durante o fim de semana, o primeiro desde que os estabelecimentos comerciais voltaram a funcionar na Cidade do México, muitos moradores mostraram despreocupação em relação à doença.

Em função do Dia das Mães, lojas e shoppings estiveram lotados e alguns restaurantes decidiram ignorar as medidas preventivas, como a que exige adotar mais espaço entre os clientes. Bares e discotecas também registraram o retorno de seus frequentadores na noite de sábado.

No entanto, muitos mexicanos continuam com medo. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 15% das ligações que recebe o Centro de Informação sobre a Influenza, módulo de atendimento telefônico criado para tirar dúvidas sobre a doença, são de pessoas em pânico. Até o dia 5 de maio, o serviço contabilizava mais de 3,3 milhões de chamadas.

No Brasil
Neste domingo, o Ministério da Saúde do Brasil informou em nota oficial que cresceu de seis para oito o número de casos confirmados no país.

"Sendo seis com vínculo de viagens internacionais e dois autóctones (cuja transmissão se deu dentro do território nacional)", diz a nota.

Segundo o Ministério, um dos novos casos é de um paciente do Rio de Janeiro que teve contato com uma pessoa que havia contraído a doença no México. Outra pessoa já havia sido infectada naquele Estado da mesma maneira.

O outro caso confirmado neste domingo é de um paciente do Rio Grande do Sul que viajou à Europa e havia passado por seis países antes de retornar ao Brasil.

Até agora, foram confirmados três casos no Rio de Janeiro, dois em São Paulo, um no Rio Grande do Sul, um em Minas Gerais e um em Santa Catarina. O Brasil tem ainda outros 22 casos suspeitos e 22 em monitoramento, de acordo com o ministério.

Nesta segunda-feira, em seu programa semanal de rádio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a gripe suína é "grave", mas que o governo está cuidando para "evitar que se alastre em outras pessoas".

Outros países
Segundo informe da Organização Mundial da Saúde, já são 30 os países com casos confirmados de gripe suína. Os Estados Unidos aparecem com o maior número de casos (2.532, incluindo 3 mortes), mas, segundo autoridades médicas, isso não significa necessariamente que seja o país mais afetado, uma vez que tem uma maior capacidade clínica que o México.

Outros casos fatais foram registrados no Canadá (284 casos, 1 morte) e Costa Rica (8 casos, 1 morte). Ainda no continente americano, além do Brasil, outros cinco países informaram ter pacientes com o vírus: Panamá (15), El Salvador (4), Argentina (1), Colômbia (3) e Guatemala (1).

A África ainda não reportou nenhum caso e, nos demais continentes, já há registros de pessoas infectadas na Alemanha (11), Austrália (1), Áustria (1), China (2), Coréia (3), Dinamarca (1), Espanha (95), França (13), Holanda (3), Irlanda (1), Israel (7), Itália(9), Japão (4), Nova Zelândia (7), Noruega (2), Polônia (1), Portugal (1), Reino Unido (47), Suécia (2) e Suíça (1).

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