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México combate falta d água com tarifas e promessas

VALLE DE BRAVO, México (Reuters) - O lago Avandaro há muito tempo é sinônimo de lazer nesta sofisticada localidade colonial a oeste da capital mexicana, que o secou pela metade no primeiro semestre de 2009. Cada vez mais sedenta, a Cidade do México desviou milhares de litros de água do lago, ameaçando a posição da histórica Valle de Bravo como refúgio de fim de semana para os ricos.

Reuters |

Com o lago reduzido à metade, esquiadores e pilotos de barcos têm de desviar das pedras que emergem. "Nasci aqui e nunca o vi neste nível", disse Carlos González, de 33 anos, gerente do restaurante flutuante Los Pericos, que há poucos meses ficou ameaçado de encalhar no fundo do lago.

A Cidade do México, que com 20 milhões de habitantes é uma das maiores cidades do mundo, já se habituou à escassez de água, mas a situação piorou neste ano devido a uma seca que reduziu os reservatórios a níveis recordes.

Por isso, os gestores hídricos recorrem cada vez mais ao lago Avandaro. A revolta dos endinheirados frequentadores fez com que a drenagem perdesse fôlego e surgiu um acordo para manter o lago em 75 por cento do seu nível normal.

Em dezembro, os legisladores da Cidade do México decidiram elevar as tarifas de água para todos os usuários em 2010, além de cortar vultosos subsídios. Mas essa árdua mudança pode não bastar. Cortes no abastecimento são comuns, e muitos moradores se queixam da cor do líquido que sai das torneiras.

Com a nova estrutura das taxas, os moradores mais ricos pagarão mais do que o triplo pela água do que os mais pobres. Mesmo assim, a imprensa diz que o custo para uma família rica não chegará a 40 dólares por ano --a água no México é bem mais barata do que em outras cidades do mundo.

Os moradores mais ricos da capital usam até 300 litros de água por dia, cerca de metade do nível registrado em capitais europeias, segundo Gustavo Saltiel, especialista em desenvolvimento do Banco Mundial.

Por causa de furtos e vazamentos, 40 por cento da água da capital é perdida antes de chegar às torneiras, e só metade do que resta é faturada. As autoridades estão numa desesperada batalha para atender aos 20 milhões de moradores e às empresas num momento de redução dos níveis de chuvas.

Um enorme sistema de lagos que no passado cobriu o vasto planalto urbano da Cidade do México, alimentando a vibrante civilização asteca, sumiu há muito tempo por causa do crescimento explosivo da população e do uso desordenado da água.

(Reportagem de Patrick Rucker)

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