México chama os EUA para debater violência na fronteira

Gerardo Tena México, 16 mar (EFE).- O Governo do México convocou os Estados Unidos a debater de forma conjunta o crime organizado, cada um em seu território, após a morte de três pessoas vinculadas ao consulado americano em Ciudad Juárez, visando restabelecer a ordem na cidade, a mais violenta do país.

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A estratégia deve ser assumida por México e EUA "como uma batalha que deve ser combatida pelos dois lados da fronteira como aliados, cada um em seu território, cada um no âmbito de sua competência, mas com uma estreita colaboração em matéria de informação, inteligência, e políticas públicas", disse o presidente mexicano, Felipe Calderón.

O líder disse que o problema das drogas "é binacional, que tem uma origem comum e fundamental, que é o consumo de drogas nos Estados Unidos e a criminalidade associada a esse tráfico, e em consequência é responsabilidade dos dois países".

Calderón viajou nesta terça-feira pela terceira vez em pouco mais de um mês a Ciudad Juárez, em uma viagem programada desde a última semana, mas no contexto do assassinato de um casal americano - um deles funcionário do consulado dos EUA - e de um mexicano, marido de uma empregada da legação diplomática americana.

"Os homicídios recentes, de pessoas relacionadas com o consulado dos Estados Unidos na cidade, são verdadeiramente degradantes, inadmissíveis, profundamente lamentáveis", reiterou Calderón, que já tinha condenado o fato no último fim de semana.

Desta vez, o presidente viajou à cidade, que faz fronteira com El Paso (no estado americano do Texas) em companhia da chanceler mexicana, Patricia Espinosa, e do embaixador dos EUA no México, Carlos Pascual.

Os diplomatas visitaram o consulado dos EUA em Ciudad Juárez, onde a chanceler expressou suas condolências aos funcionários do escritório, que hoje em sinal de luto ficou fechado.

A chanceler ratificou "a firme vontade" do Governo mexicano "para investigar os homicídios e deter os responsáveis" e "agradeceu a cooperação oferecida para isso pelas autoridades americanas".

México e EUA compartilham uma fronteira de 3,2 mil quilômetros (em 1,2 deles há um muro construído por Washington), pela qual passam milhares de imigrantes mexicanos e centro-americanos, assim como drogas, do sul para o norte; milhares de armas e milhões de dólares, produto da venda de drogas, do norte para o sul.

Ciudad Juárez é um desses pontos de tráfico, cujo controle é alvo de uma briga entre os traficantes de Juárez e de Sinaloa, com o apoio de grupos andarilhos, confronto que matou mais de cinco mil pessoas desde 2008.

Na cidade, com 1,5 milhão de habitantes, também há uma série de cerca de 500 assassinatos de mulheres não esclarecidos desde 1993.

Após a morte de 15 jovens estudantes que participavam de uma festa, em 31 de janeiro, a indignação em Ciudad Juárez explodiu e obrigou Calderón a analisar pessoalmente a situação. Depois disso foi estabelecido o programa "Todos somos Juárez; vamos recuperar a cidade", que procura restabelecer as condições sociais.

Calderón liderou, nesta terça-feira, a análise desse plano, ao qual incorporou vários de seus ministros, que hoje deram um balanço de seus trabalhos.

O secretário (ministro) do Trabalho, Javier Lozano, anunciou na reunião que serão aplicados 91 milhões de pesos (cerca de US$ 7 milhões) em 2010 para beneficiar 17.808 pessoas com diferentes programas, entre eles emprego temporário, capacitação e empréstimo de ferramentas para trabalho por conta própria.

O ministro da Saúde, José Ángel Córdova, assinalou que 424 mil pessoas serão beneficiadas com programas de saúde com um orçamento de 600 milhões de pesos (cerca de US$ 46 milhões).

Em educação, o ministro da pasta, Alonso Lujambio, apontou que o programa de "Escola segura", para gerar condições de segurança dos alunos, será estendido às 1.006 escolas locais de educação básica.

O ministro de Desenvolvimento Social, Heriberto Félix Guerra, assegurou que programas sob sua ordem para apoiar 25 mil famílias em condições de extrema pobreza.

À par desta estratégia, Calderón mantém seu plano de combater o crime organizado com o apoio total do Exército, apesar das exigências de diversos setores para os militares sejam retirados das ruas. EFE gt/fm

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