México anuncia reabertura de escolas e restaurantes a partir de quarta-feira

O governo mexicano anunciou, na noite desta segunda-feira, as primeiras medidas para que a vida no país volte à normalidade, após 11 dias de alerta por causa do vírus da influenza A (H1N1), também conhecida como gripe suína. As autoridades do país acreditam que a propagação do vírus da gripe suína está em queda, e que já é possível reativar a atividade econômica e as aulas, desde que se adotem medidas especiais.

BBC Brasil |

Para as escolas, o governo prevê o retorno às aulas em duas etapas: os alunos dos níveis médio e superior voltariam às classes já na quarta-feira, enquanto os mais novos retornariam na próxima segunda.

Antes, porém, todas as escolas deverão passar por uma limpeza e seus funcionários receberão orientação para encaminhar aos centros de saúde qualquer criança que apresente os sintomas da gripe.

Já os trabalhadores deverão retomar suas atividades a partir da quarta-feira, mas o governo adverte sobre a necessidade de que as pessoas continuem seguindo as recomendações de prevenção, como evitar cumprimentos com beijos e lavar as mãos constantemente.

O ministro do Trabalho, Javier Lozano Alarcón, afirmou que pessoas que apresentarem qualquer sintoma não devem ir ao local de trabalho, e pediu que os empregadores sejam tolerantes com faltas e atrasos, principalmente de pais e mães de família.

Na Cidade do México, os restaurantes, que só estavam autorizados a funcionar no sistema de entregas ou comida para viagem, também voltarão à normalidade a partir desta quarta-feira.

Até lá, o governo da capital continuará com o programa que garante 50 pesos (cerca de R$ 8) por dia para cada garçom, já que estes profissionais vivem basicamente de gorjetas.

As bibliotecas, museus e centros religiosos também poderão voltar a funcionar nesta semana. Mas boates, cinemas, teatros e estádios de futebol só terão permissão para abrir as portas quando a epidemia passar para a fase amarela, ou seja, de médio risco de contágio.

Em um anúncio em rede nacional, o presidente mexicano, Felipe Calderón, agradeceu o apoio dos cidadãos para enfrentar a epidemia e disse que a aplicação de medidas preventivas permitirá que o país volte gradualmente à normalidade.

"O número de pessoas infectadas pela influenza se estabilizou e começa a diminuir de maneira significativa. Os pacientes vêm respondendo bem aos remédios e os especialistas nacionais concordam que, se continuamos com as medidas preventivas, vamos sair logo desta situação."
Economia
Embora ainda não seja possível estimar o quanto a crise gerada pela epidemia vai custar ao México, o governo afirma que diversos setores "foram afetados de maneira significativa".

De acordo com o ministro da Economia, Gerardo Ruiz, o turismo e a suinocultura são os setores que mais vêm sofrendo com a epidemia.

Segundo Ruiz, o governo está conversando com representantes de outros países para evitar que os produtos mexicanos tenham problemas no exterior.

No entanto, alguns países, como a China, já anunciaram que vão cancelar a importação de produtos suínos procedentes do México.

"O curioso é que, no caso da China, nem exportamos carne de porco para eles", disse o ministro.

O país asiático vem adotando medidas extremas para, segundo suas autoridades, evitar que a epidemia se propague entre os chineses.

De acordo com dados da Embaixada do México na China, 71 mexicanos que estão no país foram desnecessariamente colocados em quarentena.

Os dois países enviaram aviões especiais para buscar seus compatriotas, já que a China proibiu os voos regulares com o México.

Nesta segunda-feira, foi a vez do governo canadense informar que diversas linhas aéreas turísticas suspenderam seus voos charter às praias mexicanas.

Na semana passada, Peru, Equador, Argentina e Cuba já haviam cancelado os voos procedentes e destinados ao México.

Dados e dúvidas
Até a tarde desta segunda-feira, o governo mexicano havia realizado 2.427 testes, dos quais 2.150 podem ser considerados válidos e o restante deverá ser reavaliado.

Dos chamados "úteis", 802 deram positivo para o novo vírus, sendo que, deste universo, 26 pessoas morreram.

Embora admita que ainda seja cedo para dizer quanto tempo devem durar as medidas de prevenção e que há a possibilidade de um novo surto de contaminação, o governo mexicano afirma que a curva de novos casos já havia sido estabilizada e que agora está em queda.

Brasil
Nesta segunda-feira, o Grupo Executivo Interministerial, formado pelo governo brasileiro para acompanhar a situação do vírus no país, afirmou que enviará à Casa Civil uma minuta de Medida Provisória para a liberação de R$ 141 milhões para ajudar na prevenção à gripe.Segundo um comunicado do Ministério da Saúde, o Ministério do Desenvolvimento deve preparar a Medida Provisória, que deve ser editada pelo governo ainda esta semana.

De acordo com o secretário de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, Gerson Penna, a verba suplementar será usada para a instalação de "salas de situação" nos portos brasileiros e no reforço da campanha publicitária para ajudar na prevenção da doença.

Ao todo, segundo o Ministério da Saúde, há 25 casos suspeitos de contaminação pela influenza A(H1N1) em todo o país. Outros 36 casos estão sendo monitorados.

São consideradas suspeitas de terem a doença aquelas pessoas que estiveram nos países com casos confirmados e apresentaram sintomas, além daqueles que tiveram contato próximo com pessoas infectadas. Casos
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou, em um comunicado divulgado no final da tarde desta segunda-feira, que já foram confirmados 1085 casos da doença em todo o mundo. O total de países atingidos é de 21.

Depois do México, os Estados Unidos são o país mais atingido pelo vírus. Até o momento, foram confirmados 279 casos da gripe em 36 Estados americanos, a maioria dos casos, no entanto, é branda.O país registrou apenas uma morte relacionada à doença, a de um bebê mexicano de quase dois anos de idade.

Os outros países atingidos, sem casos fatais, segundo a OMS, são a Alemanha (8 casos confirmados), Áustria (1), Canadá (101), China (1), Colômbia (1), Coreia do Sul (1), Costa Rica (1), Dinamarca (1), El Salvador (2), Espanha (54), França (4), Grã-Bretanha (18), Holanda (1), Irlanda (1), Israel (4), Itália (2), Nova Zelândia (6), Portugal (1) e Suíça (1).

Os números de casos confirmados divulgados pelos países diferem dos da OMS, já que algumas infecções ainda não foram confirmadas pelo organismo internacional.

Nesta segunda-feira, o Canadá afirmou que tem 140 casos confirmados, e a Grã-Bretanha, 27. Nove desses casos britânicos aparentemente foram adquiridos por pessoas que não estiveram no México.

Outros cinco países reportaram a contaminação de pessoas que não estiveram no México.

Reunião
Segundo o correspondente da BBC em Genebra, Suíça, Imogen Foulkes, a gravidade do vírus ainda é incerta para os especialistas.

De acordo com Foulkes, especialistas em saúde de diversas partes do mundo ainda estão pesquisando quais grupos populacionais são os mais vulneráveis ao vírus e porque ele causou pneumonia severa em alguns pacientes e diarreia - que normalmente não é associada à gripe - em outros.

Nesta terça-feira, a OMS deve reunir cientistas e pesquisadores para discutir essas questões. As respostas, segundo o organismo, devem ajudar a controlar e combater o vírus.

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