Os primeiros resultados de uma consulta popular feita pela oposição no México indicam que a proposta de entrada de capital privado na maior empresa petroleira do país foi rejeitada. Segundo a contagem mais recente, mais de 86% das que pessoas que votaram disseram não ao ingresso de capital privado na estatal Petróleos Mexicanos (Pemex).

Os resultados definitivos devem ser divulgados na terça-feira.

A consulta foi realizada em 11 dos 32 Estados mexicanos. Ela foi organizada pela oposição ao governo do presidente mexicano, Felipe Calderón.

O presidente enviou neste ano uma proposta de reforma energética ao Congresso. O plano do governo prevê uma modernização da estatal Pemex, com "associação estratégica com investidores de capital privado".

O governo argumenta que os recursos petrolíferos do México estão se esgotando. Entre 2002 e 2007, as reservas de petróleo do país teriam caído em 27%.

Calderón diz que a entrada de capital privado é urgente para o futuro da indústria do país, que precisa investir em pesquisa e desenvolvimento.

'Entrega'
O Senado mexicano passou mais de dois meses discutindo a abertura da indústria petrolífera do país ao capital privado, mas não chegou a um consenso.

A oposição acusa o plano de servir como uma "entrega do país às grandes companhias petrolíferas estrangeiras" e defende o uso mais eficiente dos recursos da Pemex.

Segundo analistas, a consulta tem um significado mais político do que prático, já que o resultado não precisa ser reconhecido pelo governo.

O referendo foi proposto pela oposição e por Andrés Manuel López Obrador, rival político de Calderón.

Nas últimas eleições presidenciais, López Obrador acusou Calderón de fraude eleitoral, após ser derrotado.

Segundo analistas, o referendo proposto agora seria uma retomada da campanha contra o que López Obrador chama de um "governo ilegítimo".

A participação popular no referendo foi menor do que se esperava. Cerca de 870 mil pessoas votaram, em vez das 1,3 milhão estimadas.

A consulta foi organizada pela Frente Ampla Progressista - que reúne siglas de esquerda como os partidos da Revolução Democrática (PRD) e do Trabalho (PT) e o Convergencia - e foi criticada por analistas, por funcionários da Pemex e pelo governista Partido Ação Nacional (PAN).

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