Mexicanos reclamam de discriminação por gripe H1N1

Por Marco Aquino LIMA (Reuters) - A América Latina colocou o México de quarentena por temer o contágio pela nova cepa de influenza, alimentando atitudes de discriminação e intolerância contra muitos mexicanos na região.

Reuters |

Alguns países proibiram voos, outros suspenderam importações e a maioria estabeleceu rígidos controles sanitários nos aeroportos na tentativa de impedir que a gripe H1N1 cruze suas fronteiras.

Muitas pessoas nas ruas também impuseram seus próprios "controles", erguendo um muro contra qualquer um que porte um passaporte mexicano.

Colômbia e Chile negaram-se a abrigar partidas de futebol pela Copa Libertadores com o time do México; Cuba só aceita receber aviões vazios precedentes da capital asteca para buscar passageiros na ilha e a Bolívia cancelou as importações de carne suína.

"Há algumas expressões que mostram até racismo. E isso não tem justificativa", queixou-se o representante da Organização Pan-Americana de Saúde no Peru, Manuel Peña.

O novo influenza, que mescla cepas de humanos, aves e porcos, deixou até agora 26 mortos no México e se disseminou rapidamente pelo mundo infectando mais de mil pessoas, mas em uma forma mais branda sem causar vítimas fatais, à exceção de um caso nos Estados Unidos.

Na América Latina foram confirmados apenas quatro casos de pessoas infectadas - na Colômbia, na Costa Rica e em El Salvador.

Mas o pânico de contágio já se converteu numa epidemia na região.

A mexicana Ana Cecilia Pujals, que conduz um programa de rádio na Argentina, disse à Reuters que na última semana recebeu muitos telefonemas ou mensagens com queixas de casos de discriminação relacionados ao vírus influenza.

"A produtora do meu programa, que é mexicana, teve uma simples gripe e no colégio de sua filha as pessoas se afastavam e não queriam lhe dar a mão", afirmou.

Pujals relatou ter recebido o telefonema de um mexicano que foi repreendido ao tentar pegar um táxi, de um outro que lhe gritaram para usar máscaras e de alguns que se queixavam de que tinham lhe dito para voltar ao seu país.

No Peru, uma testemunha disse que uma jovem identificada como mexicana cometeu o "delito" de espirrar na sala de espera do aeroporto de Lima e muitas pessoas manifestaram desaprovação. "Até parece que é proibido espirrar", reclamou.

CRÍTICAS MEXICANAS

O governo do México se queixou formalmente da Argentina, de Cuba, do Equador e do Peru por haver proibido os vôos provenientes do país, afirmando que era uma medida ineficaz e apenas refletia falta de solidariedade.

Com a China, o governo foi mais duro, solicitando que seus cidadãos evitem viajar ao gigante asiático, que pôs meia centena de mexicanos em quarentena, alguns sem sinais da doença.

Dessa forma, muitas pessoas que moram no México têm tido de viajar a um terceiro destino para conseguir uma passagem que lhes permita voltar ao seu país ou visitar alguém na América Latina.

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