Mexicanos nos EUA recebem salário com 60 anos de atraso

Milhares de mexicanos que emigraram para os Estados Unidos para compensar a escassez de mão-de-obra durante a Segunda Guerra Mundial poderão receber milhões de dólares em compensação. Um acordo judicial feito esta semana entre advogados dos trabalhadores e o governo do México determina que cada um dos trabalhadores que participaram do programa de mão-de-obra têm direito a receber até US$ 3,5 mil em compensação.

BBC Brasil |

Estes trabalhadores, com autorizações temporárias, ficaram conhecidos como "braceros" (numa referência em espanhol à força braçal necessária para trabalho pesado).

"É a primeira vez em mais de 60 anos que se oferece algum tipo de compensação a estes 'braceros'", disse Joshua Karsh, um dos advogados que apresentaram a exigência. Calcula-se que entre 1942 e 1946, de 200 mil a 300 mil pessoas participaram do programa.

Economias
Nesta época, um acordo entre países previa que os Estados Unidos reteriam 10% do salário dos trabalhadores, que seriam enviados para o governo mexicano.

A idéia era que os trabalhadores teriam economias quando expirasse sua autorização para trabalhar nos Estados Unidos. O dinheiro serviria ainda como um estímulo para que regressassem a seu país.

Mas muitos deles nem sabiam quem estava retendo o dinheiro e nem puderam reclamá-lo na volta ao México.

O governo mexicano, que nunca admitiu qualquer responsabilidade na questão, estabeleceu há três anos um programa para a devolução desses recursos aos trabalhadores que vivem no México.

Mas, como muitos dos trabalhadores permaneceram nos Estados Unidos ou voltaram a emigrar para o território americano, não tiveram possibilidade de cobrar esta compensação.

Por isso, em 2001, um grupo de advogados apresentou a exigência em nome dos trabalhadores e seus familiares que vivem nos Estados Unidos ou são cidadãos americanos. Esta foi a exigência que levou ao acordo desta semana.

Para cobrar sua compensação, os trabalhadores que estiveram neste programa têm que apresentar os documentos originais que provam que atuaram nos Estados Unidos no período determinado.

"Lamentavelmente, muitos deles já morreram. Mas seus esposos ou seus filhos têm o direito de reclamar o dinheiro", explicou o advogado Karsh.

Este poderia ser um precedente a ser levado em conta na discussão de uma possível reforma das leis migratórias, que os candidatos à Presidência prometeram abordar nos primeiros meses de governo.

Mas Karsh diz que infelizmente a economia está exigindo mais atenção do que a imigração. Ele adverte, contudo, que apesar dos problemas da economia "nunca ninguém deve que passar por esta situação de lutar durante 60 anos para recuperar dinheiro que lhe pertence".

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