Mexicanos acampam na esquina onde termina América Latina

José Antonio Torres Tijuana (México), 30 abr (EFE).- No muro metálico encravado no mar para marcar o trecho onde termina a América Latina, os mexicanos visitam Playas de Tijuana para se reunir com parentes e se banhar sob o olhar da patrulha fronteiriça dos Estados Unidos.

EFE |

"Venho encontrar uma namorada que não tem papéis (documentos migratórios)", disse à Agência Efe Juan Pablo, um mexicano de 46 anos radicado nos Estados Unidos que toda semana vai a Playas de Tijuana, no extremo noroeste do México.

Juan Pablo, que trabalha pintando casas, se senta todo fim de semana próximo à estrutura metálica que delimita a fronteira de México e Estados Unidos, entre Playas de Tijuana (Baixa Califórnia) e Imperial Beach (Califórnia, EUA).

"É uma divisão do território mexicano com o americano", comentou este operário mexicano que pode trabalhar legalmente nos Estados Unidos após admitir que estes canos, com um tom entre o verde e o cinza, também dividem as famílias.

Juan Pablo, que preferiu não dizer seu sobrenome, disse à Agência Efe que tem três filhos, dois deles nos Estados Unidos e um no México - que em algumas ocasiões é convidado para se reunir nestas praias de Tijuana, o principal posto fronteiriço entre México e Estados Unidos.

Encravada no mar, a muralha metálica marca uma divisão geográfica e cultural e representa um extremo dos 3.200 quilômetros de fronteira entre México e Estados Unidos que se estende até as águas do Golfo do México, entre os estados do Texas (EUA) e Tamaulipas (México).

Do lado "americano", como é chamada, está o Border Field International Park, onde é possível andar a cavalo e ter uma vista panorâmica de San Diego (Califórnia).

No México floresce uma agitada localidade que possui uma praça de touros com uma grande capacidade, a aproximadamente 50 metros da divisa e que se destaca entre as centenas de casas construídas, com um comércio que cresce com o turismo das famílias.

Playas de Tijuana é o lugar favorito da classe média-baixa de Tijuana, e a cada fim de semana o lugar lota com famílias que preparam suas refeições na praia, enquanto as crianças tomam banho de mar bem próximos do muro fronteiriço que serve de proteção.

O mexicano Arturo Fong, radicado em Playas de Tijuana, afirmou à Efe que a cerca metálica foi colocada em 1993 com a Operação Guardián dos Estados Unidos, e que empurrou os imigrantes ilegais mexicanos para o deserto na busca de um lugar para atravessar.

Alguns dos visitantes contam que o metal enterrado na areia, que marca o lado noroeste do México e da América Latina, provém de restos de material e equipamento que foram utilizados pelos Estados Unidos na Guerra do Golfo.

Os motoristas da patrulha fronteiriça gravam em vídeo e tiram fotografias de qualquer tentativa de cruzamento, um helicóptero sobrevoa o lugar a cada 30 minutos e sempre há navios de todos os tipos em frente à costa.

"É a fronteira mais vigiada do mundo", assegurou Fong à Efe para explicar que, antes da existência do muro, os mexicanos tinham a liberdade de caminhar pela praia até 200 metros dentro de território americano.

A tranqüilidade vigiada destas praias contrasta radicalmente com a violência do narcotráfico que atinge Tijuana, uma cidade de 1,41 milhões de habitantes que foi nos últimos anos o palco da guerra pelo controle das rotas da droga.

O último choque ocorreu no fim de semana passado, quando 13 supostos narcotraficantes foram assassinados em vários confrontos armados em Tijuana, aproximadamente 2.200 quilômetros ao noroeste da capital mexicana.

Tijuana recebeu no ano passado 15 milhões de visitantes, sendo 13 milhões procedentes da Califórnia (Estados Unidos), segundo o escritório de turismo desta cidade.

Nos Estados Unidos há cerca de onze milhões de mexicanos, dos quais por volta de seis milhões são imigrantes ilegais. EFE jth/bm/db

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