Meu pai é ícone da ética, diz Maria Isabel Allende

Matilde Wolter Santiago do Chile, 26 jun (EFE).- Em meio à celebração hoje dos 100 anos do nascimento do ex-presidente chileno Salvador Allende, morto em 1973, sua filha Maria Isabel afirma que o ex-líder tornou-se um ícone da ética e da coerência e um político universal de referência.

EFE |

Maria Isabel coordena os atos em homenagem ao centenário do nascimento de Allende e exerce a função de deputada no Parlamento chileno pelo Partido Socialista. Conhecida do grande público apenas como Isabel Allende, tem uma prima escritora de mesmo nome - famosa por obras como "A Casa dos Espíritos" e "O Meu País Inventado".

Após confessar que ainda sente muitas saudades do pai, Isabel destacou à Agência Efe a importância do ex-presidente e do legado político de uma "via pacífica de transição ao socialismo" na América Latina e no mundo.

"Não é casualidade o fato de que em quase toda a América Latina e em muitíssimos países europeus como Suíça, França, Alemanha, Áustria e Espanha estejam sendo programados atos em memória de Salvador Allende", ressaltou.

A filha de Salvador Allende declarou ainda que a lembrança do ex-presidente tem crescido entre os chilenos, sobretudo os mais jovens.

Allende morreu no Palácio de La Moneda - sede da Presidência chilena - durante o golpe militar de 11 de setembro de 1973, liderado pelo general Augusto Pinochet, que ficaria no poder até 1990.

"Os jovens admiram (Salvador Allende) por sua coerência, por sua dignidade no dia 11 de setembro", disse Isabel, em alusão à decisão de seu pai - que ficou no Governo de 1970 a 73 - de permanecer no palácio presidencial até o último minuto de sua vida, rejeitando o exílio que havia sido oferecido pelos militares golpistas.

"A juventude sabe dar valor à coerência e à ética, e por isso Allende tornou-se um ícone para eles", ressaltou.

Isabel, que é parlamentar há 15 anos, destacou que seu pai optou por um socialismo "com democracia, pluralismo e liberdade", princípios que, segundo sua opinião, seguem vigentes na coalizão de centro-esquerda que governa o Chile desde 1990.

"É o que aprendemos com as dores, a história, os erros", explicou a deputada, que após o golpe militar se exilou junto com sua mãe, Hortensia Bussi, no México, de onde retornaram em 1987.

Durante os 17 anos de Governo Pinochet, a imagem de Salvador Allende no poder foi ofuscada, mas agora o Chile tem feito justiça, assegura Isabel. Essa mudança começou em 2003, ano em que precisamente ela presidia a Câmara dos Deputados chilena.

"O 30º aniversário (do golpe militar) representou um marco. Hoje o Chile está cheio de ruas e praças com seu nome. Está sendo reivindicada a imagem" de uma pessoa que no cotidiano "tinha carinho pela vida e por sua família", avalia Isabel.

"Ele tinha um grande humor. Adorava uma boa comida, um bom vinho, seus amigos, era um sedutor. Era incapaz de preparar uma xícara de chá, mas vivia reformando a casa", lembra a filha.

"Independentemente da ausência física do pai, senti saudades, sobretudo, de estar com alguém tão cheio de energia que nos fazia rir e que estava permanentemente brincando com todos", conclui. EFE mw/fr

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