Metas do Milênio dificilmente serão cumpridas na África, diz a ONU

A África terá grandes dificuldades em cumprir as Metas do Milênio para o Desenvolvimento (MMD), que têm como objetivo reduzir a pobreza até 2015, advertiu nesta quinta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançando um apelo ao mundo para que siga se esforçando neste sentido.

AFP |

Para atingir estas metas, "precisamos reanimar a vontade política e mobilizar os recursos necessários, e conto para isso com os dirigentes dos países desenvolvidos", declarou Ban Ki-moon.

Ele fez a declaração durante uma entrevista coletiva posterior à publicação do relatório 2008 da ONU sobre as MMD, que evoca progressos medianos, muito desiguais segundo as regiões, mas também o surgimento de novos desafios como a desaceleração econômica mundial e o aquecimento global.

As oito metas, aprovadas pelos dirigentes mundiais em 2000, são reduzir pela metade a extrema pobreza entre 1990 e 2015, combater as grandes epidemias, a mortalidade infantil e o analfabetismo.

Elas também incluem a igualdade dos sexos, melhorias na saúde materna, a proteção do meio ambiente e a criação de uma parceria mundial para o desenvolvimento.

O relatório é publicado a duas semanas de uma cúpula prevista para o dia 25 de setembro em Nova York e dedicada às formas de atingir estas metas em 2015.

Esta cúpula será realizada em margem da Assembléia Geral anual das Nações Unidas, por iniciativa de Ban e do futuro presidente desta Assembléia, o nicaragüense Miguel D'Escoto. A cúpula será precedida, em 22 de setembro, por outra reunião de alto nível dedicada especificamente ao desenvolvimento no continente africano.

"Espero dos participantes que anunciem iniciativas precisas e assumem compromissos" para ajudar a cumprir as Metas do Milênio, destacou o secretário-geral da ONU.

Segundo o relatório, "progressos reais e duradouros foram realizados na redução da extrema pobreza". O número de pessoas vivendo com menos de 1,25 dólar por dia passou de 1,8 bilhão em 1990 a 1,4 bilhão em 2005.

"Neste ritmo, o objetivo de reduzir pela metade a extrema pobreza entre 1990 e 2015 pode até ser alcançado, mas os progressos foram desiguais segundo as regiões", diz o texto.

Assim, o leste e o sudeste da Ásia registraram uma forte diminuição da extrema pobreza (de 56% para 18%), atingindo virtualmente o objetivo já em 2005. Este sucesso se deve principalmente à China, cujo vigoroso crescimento econômico permitiu retirar 475 milhões de pessoas desta zona de extrema pobreza.

Ao contrário, a África subsaariana registrou um aumento de 100 milhões do número de pessoas vivendo abaixo desta linha de pobreza.

O relatório da ONU também adverte que a atual disparada dos preços dos alimentos "periga anular os limitados sucessos conquistados" na luta contra a pobreza e a desnutrição infantil.

Sobre as outras metas, o documento constata que "a determinação política combinada com investimentos selecionados permitiu realizar grandes progressos em matéria de escolarização primária". "Entretanto, as mulheres ainda não têm o mesmo acesso que os homens ao ensino básico em algumas regiões", adverte o texto.

Em 2006, pela primeira vez na história, o número anual de mortes de crianças de menos de cinco anos no mundo passou abaixo dos 10 milhões. Ele era de 9,2 milhões de 2007, segundo o Unicef.

Porém, "milhões de crianças ainda morrem a cada ano de causas evitáveis, o que é inaceitável", afirma o documento.

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