Metade das crianças com HIV morre antes de 2 anos por falta de tratamento

México, 7 ago (EFE).- Apenas 10% das crianças com HIV/aids no mundo tem acesso a tratamento anti-retroviral, um terrível fato que faz com que a metade dos menores morra antes dos dois anos, denunciou hoje Mary Robinson, presidente de honra da Oxfam Internacional.

EFE |

"Cerca de mil crianças são contaminadas com HIV por dia, e 80% delas estão na África Subsaariana. Destes casos, 90% ocorrem pelo contágio mãe-filho, que pode ser prevenido", lamentou a ex-Alta comissária de Direitos Humanos da ONU.

"Se quisermos manter um enfoque nos direitos humanos podemos prevenir a transmissão mãe-filho do HIV. Vamos fazer isso. Vamos dar acesso universal a eles", acrescentou.

"Sabemos que temos que chegar às crianças que são soropositivas antes dos dois anos, com cuidados urgentes e tratamento adequado, porque se conseguirem sobreviver aos dois anos, ou melhor, se atingirem os cinco, estarão em bom caminho", disse.

A ativista britânica defendeu que não são somente as crianças contagiadas com HIV que sofrem com esta epidemia, porque além delas há "15 milhões que perderam seus pais".

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre Aids (Unaids) se propôs a buscar o "acesso universal" ao tratamento, à prevenção e ao cuidado para pessoas soropositivas em 2010, um propósito que parece muito distante ainda na África, que com 22 milhões de infectados concentra 67% do total mundial.

Robinson lembrou hoje que é em relação à infância e às mulheres que é necessário se concentrar com maior determinação para prevenir melhor e impedir que aumentem os contágios.

Um dos assuntos defendidos com mais afinco por Robinson durante a 17ª Conferência Internacional sobre Aids (Aids 2008) é a necessidade de promover os programas de produção e difusão do preservativo feminino.

Por isso, encorajou fundações, Governos e doadores a fazerem mais nesta frente que as mulheres tenham mais poder em relação a sua sexualidade e saúde.

"Todas as mulheres africanas que falam em conferências de saúde se perguntam por que não podem ter acesso a um preservativo feminino", acrescentou.

"A reivindicação é imensa para elas, e quero que suas vozes sejam escutadas", concluiu Robinson, que partirá esta tarde do México. EFE act/bm/db

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