Mesmo derrotado, Brown busca alianças para governar no R.Unido

Viviana García. Londres, 7 mai (EFE).

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Viviana García. Londres, 7 mai (EFE).- O Partido Conservador, liderado por David Cameron, venceu as eleições gerais britânicas, mas, como não tem a maioria necessária para governar, o primeiro-ministro Gordon Brown já busca alianças para tentar manter os trabalhistas no poder. Ante resultados que deixaram uma grande incerteza política, as duas principais legendas, a conservadora e a trabalhista, se veem perante o dilema de negociar separadamente com outros partidos para tentar formar um Governo de coalizão. Com 621 das 650 cadeiras em jogo no Parlamento definidas, os conservadores tem 291 deputados, os trabalhistas possuem 251 e os liberal-democratas, de Nick Clegg, 52. Apesar de os tories terem mais cadeiras, não chegam às 326 necessárias para que governem sozinhos, o que obriga os partidos a negociar uma coalizão. Perante uma situação assim, Gordon Brown permanece no poder enquanto houver negociações entre os partidos e a rainha Elizabeth II. Como manda a tradição, ela teria que pedir ainda hoje que o vencedor procedesse com a formação do Governo, o que também segue incerto. Segundo a imprensa britânica, Brown considera que o Governo no poder tem prioridade de formar a nova Administração mesmo que não tenha a maior quantidade de deputados. Brown pode argumentar que um Governo majoritário de coalizão seria melhor em um momento de incerteza econômica que um minoritário. É possível, segundo analistas, que Brown busque a coalizão com Nick Clegg e com os nacionalistas galeses (3) e escoceses (6). O ministro Peter Mandelson, considerado o homem forte do Trabalhismo, disse hoje que o partido está disposto a considerar um acordo com os liberal-democratas para impedir a chegada dos conservadores ao poder. À pergunta de se a saída de Brown como líder trabalhista seria o preço de uma coalizão, Mandelson disse que precisa ouvir isso do partido de Clegg antes se pronunciar. Já Cameron, que deve fazer uma declaração por volta das 10h30 (Brasília), pressionou de alguma maneira Brown ao afirmar que o Trabalhismo perdeu o mandato para governar. Com a cadeira na circunscrição de Witney Court, no sul da Inglaterra, garantida, o líder tory afirmou que, aconteça o que acontecer, trabalhará pelo melhor interesse do país e fará o necessário para ajudar o Reino Unido a ter um "Governo forte, estável e decisivo". Após qualificar a campanha eleitoral de "positiva" e "enérgica", Cameron insistiu que os resultados indicam que o país quer "uma mudança" e uma "nova liderança". Segundo analistas políticos, Cameron pode entrar em coalizão com os unionistas da Irlanda do Norte, que só possuem oito cadeiras, número ainda insuficiente para os conservadores. O líder liberal-democrata deve ser decisivo na formação do novo Governo, já que pode negociar tanto com conservadores como com trabalhistas de acordo com a melhor oferta. Entre seus interesses principais está a convocação de um plebiscito sobre a reforma do sistema eleitoral. O partido de Clegg insiste na reforma ao alegar que o sistema de maioria simples de um único turno no Reino Unido favorece o bipartidarismo e deixa de lado as legendas menores. Após assegurar sua cadeira pela circunscrição de Sheffield, também no norte da Inglaterra, Clegg pediu hoje que não se tome decisões precipitadas para tentar formar um novo Governo. "O resultado final das eleições ainda é imprevisível. As pessoas votaram, mas ninguém parece ter vencido claramente", disse. "Não acho que ninguém deva se precipitar na hora de reivindicar algo ou de tomar decisões que não aguentem a passagem do tempo", afirmou o líder liberal-democrata. EFE vg/rr

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