Mesmo com recursos, malária ainda mata um milhão de pessoas ao ano

Genebra, 25 abr (EFE).- As Nações Unidas celebram pela primeira vez hoje o Dia Mundial da Malária, doença que ainda mata um milhão de pessoas ao ano, 80% delas crianças, apesar de os recursos para combatê-la terem aumentado 20 vezes em relação há uma década.

EFE |

As crianças e mulheres grávidas constituem os grupos mais vulneráveis, segundo o Fundo da ONU para a Infância (Unicef). De cada cinco mortes de menores, uma é causada pela doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu no ano passado transformar o Dia Africano da Malária - que era celebrado há dez anos - em um evento mundial devido a apelos de países da Ásia e da América Latina, regiões onde a doença está presente.

Estima-se que a metade da população mundial vive próxima ou em zonas onde é possível contrair a malária.

A doença é endêmica em 107 países e territórios. A mensagem principal de hoje é explicar para essas nações que existem modos eficazes de prevenção, principalmente mediante o uso de mosquiteiros (tela ou rede muito fina) impregnados com inseticida e o atendimento rápido com remédios apropriados.

Apesar dessas alternativas e das constantes campanhas nacionais e internacionais, os novos casos continuam variando entre 350 milhões e 500 milhões anualmente.

Por causa deste diagnóstico, a ONU e os outros organismos que também combatem a malária lançam hoje em várias partes do planeta um apelo conjunto para redobrar os esforços para arrecadar mais fundos e para que as medidas de prevenção sejam mais eficientes.

Um porta-voz da iniciativa Roll Back Malaria (RBM) - que reúne os principais organismos dedicados a este assunto - lamentou hoje em Genebra que, apesar de o financiamento ter aumentado em 20 vezes em dez anos (US$ 1,2 bilhão em 2007, frente aos US$ 60 milhões de 1998), "continuamos sofrendo mais de um milhão de mortes" ao ano.

Para avançar no ritmo necessário, foi fixado como objetivo para 2010 a utilização de mosquiteiros por 80% de pessoas em risco de contrair malária e que os novos casos sejam atendidos em um prazo de 48 horas.

"Vamos realizar uma ofensiva agressiva para levar mosquiteiros às aldeias através de uma distribuição em massa", disse o representante da Roll Back Malaria, Jan van Erps.

Ele ressaltou também a necessidade de ampliar o uso do tratamento à base de artemísia, uma planta tradicional chinesa que, embora não seja a única, mostrou uma alta efetividade e obteve uma grande penetração nos setores de saúde pública dos países afetados.

Dessa forma, a produção mundial de tratamentos com ACT (associações terapêuticas à base de artemisinina) passou de 4 milhões de doses em 2004 para mais de 100 milhões em 2006.

Para levar adiante essas ações, o financiamento ainda deverá aumentar para US$ 3,4 bilhões até 2010, defendeu Van Erps.

Um dos grandes problemas para controlar a propagação da malária é a resistência gerada pela grande variedade de medicamentos que muitos países continuam utilizando por serem mais baratos, mas que foram desaconselhados pela OMS. EFE is/bm/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG