Mesmo com ameaça terrorista, iraquianos comparecem às urnas

Agustín de Gracia. Bagdá, 8 mar (EFE).- Apesar das ameaças de ações terroristas durante as eleições, 62,4% dos iraquianos com direito a voto foram às urnas no pleito parlamentar deste domingo, informou hoje a comissão eleitoral do país.

EFE |

O dado foi divulgado em entrevista coletiva por responsáveis pela instituição e é o primeiro informado oficialmente desde o fechamento das urnas. Os resultados parciais da votação serão anunciados nos próximos dias.

A chefe de administração da comissão eleitoral, Hamdiya Hosseini, informou que a província de Dohuk, no Curdistão iraquiano, teve o maior índice de participação eleitoral (80%), enquanto a de Missan, na fronteira com o Irã, teve o menor (50%).

No total, 18,9 milhões de iraquianos foram convocados às urnas para eleger os 325 membros do Parlamento unicameral do país, do qual surgirá a próxima coalizão de Governo e que designará o novo presidente, que tem menos funções executivas que o primeiro-ministro.

A votação transcorreu em meio a explosões, especialmente nas primeiras horas, que afetaram principalmente Bagdá. O saldo final do domingo eleitoral no Iraque foi de 38 mortos e 80 feridos.

Segundo Hosseini, o índice de participação eleitoral em Bagdá foi de 53%, uma das mais baixas do país.

Houve maior comparecimento às urnas foi superior nas províncias de maioria sunita, como Diyala (62%), Al-Anbar (61%) e Salahadin (73%).

Os sunitas são cerca de um terço da população do Iraque, enquanto os xiitas compõem a quase totalidade dos outros dois terços.

Uma coalizão terrorista ligada à Al Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque, tinha ameaçado boicotar as eleições de domingo ao considerar que iam de encontro aos interesses sunitas.

A organização chegou a ordenar um toque de recolher para horas antes da votação, a fim de impedir a realização do pleito. As suspeitas sobre os autores das explosões de domingo apontam para este grupo terrorista.

Na província de Kirkuk, cuja jurisdição é reivindicada pelo Governo autônomo do Curdistão, o índice de comparecimento às urnas foi de 73%.

A participação eleitoral registrada no domingo passado é muito superior à das eleições provinciais de 31 de janeiro de 2009 (51%), mas é menor do que a das eleições gerais de dezembro de 2005 (69,97%).

As autoridades eleitorais não disseram quando os resultados finais estarão prontos, mas disseram na entrevista coletiva de hoje que os primeiros dados preliminares devem ser anunciados dentro de quatro dias.

Em declarações dadas anteriormente, o vice-presidente da comissão eleitoral, Amel Biraktar, calculou que os dados finais da apuração podem estar prontos em um mês, prazo similar ao das últimas eleições provinciais.

A comissão eleitoral informou também que os partidos políticos têm até três dias para apresentar reclamações às autoridades em relação a possíveis irregularidades.

Segundo os cálculos de dirigentes políticos, nenhuma das principais coalizões, incluindo a do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, conseguirá cadeiras suficientes para governar sozinha, o que exigirá a formação de alianças.

Em mensagem dirigida aos observadores estrangeiros presentes no Iraque, Maliki afirmou hoje que, a partir deste pleito, o país entra em uma nova etapa de consolidação democrática.

"A democracia é firme. Ninguém pode nos jogar para trás, rumo a qualquer ditadura", afirmou o chefe de Governo, que também pediu cooperação internacional para reconstruir o Iraque após as últimas guerras.

"Depois destas eleições, estamos prontos para a campanha de reconstrução e a formulação de nossas relações com a comunidade internacional, e também para erguer nosso país com base na liberdade e no não-sectarismo", disse Maliki. EFE ag-am/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG