Mesmo cassado, rival de Chávez anunciou que vai disputar eleição

Leopoldo López, acusado de corrupção pela Justiça venezuelana, foi inocentado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos

iG São Paulo |

O político Leopoldo López disse nesta terça-feira que vai manter sua campanha para as eleições primárias da oposição venezuelana, em fevereiro, apesar de uma decisão judicial o proibir de ocupar cargos públicos.

Ao lado da esposa e de cerca de 200 entusiasmados seguidores, López declarou que vai se candidatar apesar da sentença da Suprema Corte da Venezuela , que decidiu na segunda-feira que ele pode disputar eleições, mas não poderá tomar posse caso vença.  "Posso ser e serei candidato a presidente da Venezuela", disse o carismático e jovial ex-prefeito, de 40 anos.

Na segunda-feira, a Suprema Corte decidiu desconsiderar uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos contra a cassação dos direitos políticos de López. "A decisão (de eleger o presidente) não é a CIDH nem da Suprema Corte, é algo que cabe só ao povo venezuelano determinar", gritou ele. "Eles estão errados se acham que vamos simplesmente nos ajoelhar."

Para a Justiça venezuelana, a decisão tomada no mês passado pela corte internacional é "impraticável". A corte considerou injustificada a cassação dos direitos políticos de López devido à suspeitas de corrupção. Em 2008, López foi impedido de exercer cargos políticos temporariamente, sob alegações de que sua organização sem fins lucrativos teria recebido doações de 1998 a 2001 da empresa de petróleo estatal, onde sua mãe trabalhava.

A Controladoria Geral também setenciou López em 2004 por supostas irregularidades na movimentação de fundos de uma parcela de seu orçamento local para outro. López desafiou as medidas contra ele no tribunal internacional argumentando que seus direitos políticos tinham sido violados. A Corte Interamericana decidiu em seu favor no dia 1º de setembro.

López, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas relacionadas à disputa interna da oposição, tornou-se conhecido como prefeito do rico bairro de Chacao, em Caracas.  Analistas políticos preveem uma situação complicada caso ele seja escolhido candidato e vença o presidente esquerdista Hugo Chávez nas urnas em outubro de 2012. Muitos argumentam que, nesse cenário, a vontade popular acabaria se sobrepondo à decisão da Suprema Corte, cujos integrantes foram escolhidos por Chávez.

Os jovens governadores Henrique Capriles, do Estado Miranda, e Pablo Pérez, de Zulia, são favoritos na eleição primária que escolherá o rival de Chávez.

Com Reuters

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