Mês de julho foi o mais mortífero para as tropas estrangeiras no Afeganistão

Julho já é o mês mais mortífero para as tropas estrangeiras no Afeganistão em oito anos de combate, após a morte de um soldado britânico que elevou para 47 o número baixas militares desde o início deste mês.

AFP |

A trágica marca se deve em parte ao aperfeiçoamento, por parte dos talibãs, de técnicas de fabricação de explosivos, enquanto os ocidentais aumentaram a quantidade e o volume de seus ataques.

Um mês antes das eleições provinciais e presidenciais do dia 20 de agosto no Afeganistão, quando os afegãos escolherão seu chefe de Estado pela segunda vez, as tropas britânicas e americanas estão executando ofensivas mais fortes, atacando bases talibãs em áreas do sul que não haviam sido alvo de incursões.

O exército americano fala em redutos de resistência, mas funcionários indicam que os britânicos, cujas carências em matéria de equipamento geram grande debate no Reino Unido, estão enfrentando os combates mais violentos.

O site independente icasualties.org, que calcula as baixas militares no Afeganistão e no Iraque, estabeleceu em 48 o número de mortos no Afeganistão em julho, superando o recorde de junho (46 mortos) e de agosto de 2008.

Em menos de sete meses, 204 soldados estrangeiros foram mortos no Afeganistão - em todo o ano de 2008, foram 294. Em 2007, foram 232, e em 2006, 191.

O comandante das tropas americanas reconheceu que os militantes talibãs são agora mais violentos e estão melhor organizados, advertindo que as tropas estão no meio de uma batalha crucial que já dura 18 meses.

Em entrevista ao serviço de rádio em árabe da BBC, o almirante Michael Mullen disse que as operações na província de Helmand (sul) estão "apenas começando".

"Os talibãs melhoraram muito. Agora estão mais violentos, estão melhor organizados e assim vão combater", declarou Mullen na basea aérea de Bagram, perto de Cabul.

As duas operações em Helmand são o primeiro teste importante para a nova estratégia do presidente americano, Barack Obama, que decidiu priorizar a estabilização do Afeganistão. Vinte e um mil soldados extras serão enviados para o front afegão pelos EUA.

Cerca de 4.000 fuzileiros navais americanos, apoiados por centenas de efetivos das forças afegãs, foram lançados depois das linhas de frente do talibã no dia 2 de julho. Além disso, 3.000 soldados britânicos realizam a Operação Garra da Pantera no norte de Helmand desde 23 de junho.

As bombas de fabricação caseira, conhecidas na linguagem militar como objetos explosivos improvisados (IEDs), estão cada vez mais sofisticadas e devastadoras. Hoje, são responsáveis por 80% das baixas militares.

"Em um terreno plano com Helmand, os talibãs não podem enfrentar as tropas frente a frente. Esse tipo de explosivo é a melhor arma para a guerrilha neste tipo de terreno", explicou o analista afegão Waheed Mujda, destacando também as dificuldades enfrentadas pelos soldados em consequência das altas temperaturas em Helmand (até 46°C).

Segundo Mujda, "em uma guerra de guerrilha, um soldado precisa ter capacidade de manobra. Em Helmand, tanto a Otan quando os soldados americanos têm menos capacidade de manibra devido ao clima difícil e ao peso dos equipamentos que carregam".

emd-sak/ap

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