Merkel se une a liberais e deixa social-democratas de lado

Juan Carlos Verruma. Berlim, 27 set (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, governará na próxima legislatura em aliança com os liberais após se desfazer nas urnas do Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro de coalizão até agora e que saiu enfraquecido das urnas nas eleições deste domingo.

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"Alcançamos nosso objetivo de obter uma maioria estável e de poder formar Governo com os liberais", disse Merkel, pouco mais de uma hora depois do fechamento dos colégios eleitorais diante de seus eleitores, que a receberam com aplausos na sede central da União Democrata-Cristã (CDU).

Sob o comando da chanceler, a dupla formada pela CDU e a União Social-Cristã da Baviera (CSU) conseguiu somar 33,9% dos votos nas eleições de hoje, perdendo 1,3 ponto percentual frente ao pleito de 2005, segundo as primeiras pesquisas de boca-de-urna.

Já o SPD sofreu uma queda de mais de 11 pontos percentuais na preferência dos eleitores entre as eleições passadas e as atuais, recebendo apenas 23% dos votos.

Este número fica abaixo inclusive das pesquisas das últimas semanas e representa a maior queda percentual já sofrida na Alemanha por um partido entre duas eleições gerais consecutivas.

"É um dia amargo e uma derrota amarga, não há modo de embelezar isso", disse o candidato do Partido Social-Democrata (SPD) à chefia do Governo alemão e ministro de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, que anunciou uma "oposição dura" no Parlamento alemão.

O grande vencedor do dia foi o Partido Liberal (FDP) que, liderado por Guido Westerwelle, ganhou cinco pontos percentuais entre o pleito de 2005 e o atual, no qual aparece com 14,5% de votos.

Após três legislaturas na oposição, Westerwelle - virtual vice-chanceler alemão e novo ministro de Assuntos Exteriores - declarou diante de seus entusiasmados eleitores que seu partido "está pronto para governar" e assumir essa responsabilidade.

Com isso, a CDU/CSU e o FDP recuperam a tradicional aliança de centro-direita que já governou a Alemanha durante 16 anos nos anos 80 e 90 do século passado sob o comando de Helmut Kohl e Konrad Adenauer.

A CDU/CSU e o FDP devem somar 320 cadeiras no Parlamento alemão, enquanto os partidos da oposição ficariam com pouco menos de 300 cadeiras.

As eleições legislativas confirmaram também a tendência de perdas nas urnas para as duas tradicionalmente grandes legendas alemãs, a CDU/CSU e o SPD, que até a reunificação alemã, em 1989, somavam cerca de 80% dos votos - neste pleito, ambas devem ficar com pouco mais de 55%, se somadas.

Quem mais se beneficiou com esta perda de votos, sobretudo dos social-democratas, foi o partido A Esquerda, que reúne uma ala dissidente do SPD e os pós-comunistas da Alemanha Oriental. A legenda conseguiu mais de 12% dos votos, o melhor resultado de sua curta história.

Os Verdes também ganharam força e aparecem com pouco mais de 10% da preferência do eleitorado, mas os dois partidos não alcançaram seu objetivo comum de impedir uma coalizão de centro-direita.

O estreante Partido Pirata obteve 2,1% dos votos, o que não lhe dá direito a cadeiras no Parlamento alemão, mas já aparece como a principal força entre as legendas que não foram eleitas.

Na Alemanha, um partido precisa receber pelo menos 5% dos votos para ter um lugar no Legislativo.

Para o Instituto de Análise Eleitorais alemão, após a divulgação dos primeiros resultados, os três partidos menores - FDP, A Esquerda e os Verdes - são hoje mais fortes do que nunca na história da Alemanha e se beneficiaram de uma boa imagem entre o eleitorado.

Além disso, o instituto ressaltou que o triunfo da CDU/CSU se baseia fundamentalmente na figura de Merkel, cuja personalidade e trabalho nos últimos quatro anos foram avaliados positivamente pelos alemães, o que compensou a perda de confiança do eleitor em seu próprio partido.

A participação eleitoral caiu para 72%, cinco pontos percentuais a menos do que em 2005. É o índice mais baixo em 60 anos. EFE jcb/bba

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