Merkel se prepara para novo mandato com guinada à direita

A chanceler alemã, Angela Merkel, se prepara nesta segunda-feira para formar um novo governo com os liberais, depois da vitória nas eleições legislativas de domingo, que impulsiona a nova coalizão para a direita.

AFP |

Ao lado dos conservadores da União Democrata Cristã e da União Social Cristã (CDU/CSU) de Merkel e seus aliados do Partido Liberal Democrata (FDP) conquistaram uma maioria folgada de 332 dos 622 cadeiras do Bundestag (Parlamento), segundo os resultados oficiais.

De fato, Merkel estava segura de permanecer como chanceler, mas sem o sucesso do FDP teria sido obrigada a retomar a "grande coalizão" com os social-democratas, com os quais governou durante quatro anos em função de um mínimo denominador comum.

Os eleitores esperam que o novo governo priorize a luta contra o desemprego, que deve aumentar com força antes do fim do ano, e a educação, segundo uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pela revista Focus. A reforma do sistema de saúde aparece em terceiro lugar.

Mas o próximo governo terá que lidar também com a muito impopular participação do Exército alemão na guerra do Afeganistão.

Uma Merkel radiante anunciou no domingo à noite que o partido podia celebrar a vitória, depois da maioria clara obtida para governar com os liberais.

No entanto, a CDU/CSU registrou seu pior resultado desde 1949, com apenas 33,8% dos votos.

A vitória da direita se deve assim aos liberais do FDP, que conseguiram seu melhor resultado, 14,6%, e retornam ao poder depois de 11 anos.

O FDP fez campanha com uma defesa das redução dos impostos, apesar do grande endividamento da Alemanha para combater a crise.

O mercado reagiu bem à vitória de Merkel, já que desejava a nova coalizão de direita, da qual espera uma desregulamentação do mercado de trabalho e cortes fiscais.

"Uma vez no poder, o FDP enfrentará a realidade", adverte no entanto Martin Lueck, economista do banco UBS.

"As reduções de impostos consideráveis serão impossíveis porque provocariam um déficit das contas públicas inaceitável", completa.

Sobre as tentativas de reformar o mercado trabalhista, "serán diluídos pela CDU/CSU", completa.

As negociações da coalizão devem começar no mais tardar na próxima semana e o novo governo deve estar formado antes de um mês, segundo o secretário-geral da CDU, Ronald Pofalla.

Ao mesmo tempo, o Partido Social Democrata (SPD) encara o pior resultado da história, com 23%, e se prepara para voltar à oposição depois de 11 anos no poder.

Na extrema esquerda, o Die Linke, que conseguiu 11,9% dos votos ao custo do SPD, se apresenta como a "verdadeira consciência social" da Alemanha. Os Verdes também conquistaram o melhor resultado de sua história, com 10,7%.

pmr/fp

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