Merkel reitera compromisso com Afeganistão em visita de Karzai

Berlim, 10 mai (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu hoje manter o compromisso de seu Governo com o Afeganistão, apesar da crescente instabilidade nesse país, e garantiu ao presidente afegão, Hamid Karzai, ajuda para acelerar a formação policial, mas sem enviar mais soldados.

EFE |

Merkel recebeu Karzai na Chancelaria em um momento no qual o presidente afegão se encontra sob pressão internacional devido aos poucos progressos de seu Governo na reconstrução do país, e quando precisa de máximo apoio para ser reeleito.

Karzai explicou a Merkel que um dos problemas consiste em que a Polícia ainda não conseguiu o grau de efetividade necessário para enfrentar todas as ameaças.

Por esse motivo, a chanceler prometeu fazer o que estiver em suas mãos, se isso não representar um aumento de soldados alemães, "pois a Alemanha já faz o que pode".

"É preciso conseguir que a Polícia, que concluiu sua formação em apenas 10%, consiga ser melhor em menos tempo", disse Merkel, após receber o presidente afegão.

O Afeganistão "vai em bom caminho", mas ainda há "luzes e sombras" e serão necessários muitos esforços, disse Merkel, que ressaltou que não quer delinear as coisas melhores do que estão.

Karzai agradeceu mais uma vez ao Governo alemão por tudo o que contribuiu na reconstrução do país, e ressaltou que a instabilidade é, principalmente, evidente nas regiões onde não há efetivos da comunidade internacional.

Tanto Merkel quanto Karzai constataram a boa cooperação que houve até agora entre as forças de segurança e, nesse contexto, o presidente afegão citou como exemplo a recente detenção de um dirigente talibã pelas forças alemãs.

"Esta operação bem-sucedida reflete a boa cooperação existente entre os Exércitos dos dois países", disse.

O presidente reconheceu que seu Governo não tem apoio em todo o território afegão, mas ressaltou que a instabilidade ocorre em províncias como Helmand, na fronteira com o Paquistão, onde não há a mesma cooperação com as forças internacionais que em outros lugares.

Merkel e Karzai manifestaram sua grande preocupação com o aumento das atividades dos talibãs em território paquistanês, mas manifestaram a confiança de que o Governo de Islamabad agirá "energicamente".

Nesse contexto, a chanceler mostrou sua satisfação com o "diálogo" iniciado entre o Afeganistão e o Paquistão.

Por outro lado, o presidente afegão reconheceu que o recente bombardeio americano na província de Farah, no oeste do país, é um problema a mais para seu Governo, "mas também para a comunidade internacional".

O ataque, que provocou um grande número de vítimas civis - o número é desconhecido, porque já estão enterradas -, representou um novo golpe para a reputação interna de Karzai, que em seu país é considerado pelos críticos como pró-ocidental demais.

Segundo informações da imprensa alemã, em Cabul, cerca de mil jovens fizeram uma manifestação hoje contra Karzai e as forças lideradas pelos Estados Unidos, com gritos como "morte aos Estados Unidos" e "longa vida ao Islã".

Atualmente, há mais de 3 mil soldados e 60 policiais alemães mobilizados no Afeganistão. EFE ih/an

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