Merkel leva vantagem em debate com seu rival social democrata na TV

A duas semanas das eleições legislativas alemãs, Angela Merkel e o social democrata Frank-Walter Steinmeier se enfrentaram em um debate na noite deste domingo na televisão, ao final do qual a chanceler conservadora parece ter mantido sua nítida vantagem.

AFP |

Ao responder à questão "Quem você quer como chanceler, 55% das pessoas entrevistadas disseram Merkel, 38%, Steinmeier. Em outra pesquisa, 58% dos entrevistados disseram que Merkel é melhor para dirigir o país, contra 28% de Steinmeier.

Saindo da crise econômica e do salvamento da Opel, Merkel e seu rival, que governam juntos desde 2005 e fizeram a Alemanha atravessar a pior recessão do pós guerra, tiveram muito trabalho para demonstrar suas dificuldades.

Os dois falaram na necessidade de uma moralização e de uma regulação muito mais forte do mundo das finanças, questão que a Alemanha quer defender na Cúpula do G20 em Pittsburgh dia 24.

Além de terem reafirmado sua oposição ao salário mínimo e ao nuclear, eles tentaram conquistar o eleitorado com possíveis alianças: os Liberais (FDP) com os Uniões cristãs (CDU/CSU) de Merkel, ou a esquerda radical Die Linke com o SPD.

O debate foi transmitido ao vivo para quase 20 milhões de telespectadores, segundo previsões dos canais.

Os jornalistas disseram que os dois pareciam mais uma dupla do que rivais. "Vocês parecem um velho casal, muito harmonioso", comentou um deles ao final da emissão.

"Nós trabalhamos muito juntos", disse Steinmeier, 53 anos, ministro dos Assuntos Estrangeiros e cujo partido tem quase 50 pontos atrás do campo conservador de Merkel nas pesquisas.

"De fato, nossa coalizão trabalhou bem", admitiu Merkel, 55 anos, que dirige há quatro anos um governo que alia conservadores (CDU/CSU) e social democratas (SPD) e lidera todas as pesquisas.

Os dois tentaram ficar com o mérito do resgate do construtor automobilístico Opel e a queda do desemprego nos últimos quatro anos.

Steinmeier adotou um tom, em alguns momentos, mais ofensivo. "Há uma outra escolha, melhor, para a chanceler: eu", disse, sem obter reação da chanceler, sempre sóbria na disputa das eleições.

Os dois candidatos a chanceler, que podem ter de governar juntos novamente ao final da eleição, reafirmaram suas diferenças sobre o nuclear, com o SPD defendendo o fechamento programado das centrais até 2020, e os conservadores querendo um prolongamento de seu tempo de vida; e sobre o salário mínimo, que o SPD apoia e o CDU associa às atuais negociações.

O debate, de 90 minutos, foi o único de uma campanha monótona e somente o quarto do gênero na Alemanha. O impacto deste encontro deve ser limitado, pois apenas 14% dos telespectadores entrevistados ao final do debate consideraram que ele pode ter uma influência sobre o voto dia 27.

fjb/ak/plh

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