Merkel e Steinmeier protagonizam debate morno na Alemanha

Ingrid Haack. Berlim, 13 set (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, e seu principal oponente nas eleições gerais que serão realizadas em 27 de setembro, o vice-chanceler, Frank-Walter Steinmeier, fizeram hoje o único debate dos dois na televisão mais parecer um dueto do que um duelo.

EFE |

O enfrentamento, de destaque marcadamente econômico, transcorreu em um tom civilizado, com poucos momentos de controvérsia.

"Trabalhamos bem e algumas coisas só conseguimos realizar porque governamos em grande coalizão", disse Steinmeier ao abrir o debate.

Utilizando um discurso no mesmo tom, Merkel ressaltou o bom trabalho feito sob sua liderança.

Ambos, no entanto, sublinharam que a grande coalizão não é uma escolha desejada, mas o resultado do voto popular e deve ser a exceção e não a regra em uma democracia.

Steinmeier insistiu em que o bom trabalho da chanceler só foi possível pelo empenho imposto pelo seu Partido Social-Democrata (SPD).

Embora no começo, Merkel evitou falar concretamente sobre a coalizão, ao final buscou distância dos assuntos sobre o SPD, ao explicar que enxergava mais pontos em comum com o FDP (Democrático-Liberal) e melhores possibilidades de conseguir crescimento econômico e inovação tecnológica que com seu aliado atual.

Os pontos em comum ficaram resumidos na defesa de ambos sobre a venda da Opel à Magna (empresas do setor automotivo) e na decisão de aumentar o déficit como forma de sair da crise.

As diferenças só apareceram em dois pontos: sobre a proposta social-democrata de introduzir um salário mínimo, que Merkel rejeita, e quanto ao futuro da energia nuclear, em que a chanceler aposta no prolongamento da vida das centrais, enquanto Steinmeier exige a manutenção do calendário de fechamento.

Merkel defendeu, além disso, uma redução tributária com o objetivo de impulsionar o crescimento, enquanto Steinmeier sustentou que esse tipo de proposta mina a credibilidade de um partido.

Sobre o tema política externa, o único assunto abordado foi o do Afeganistão, em que os dois concordaram sobre a necessidade de estabelecer o mais rápido possível a retirada das tropas.

Merkel chegou ao debate de 90 minutos como favorita. Uma pesquisa realizada pouco antes do início, apontava que 64% dos alemães acreditavam que ela se fortaleceria no debate.

Na análise posterior, entretanto, alguns comentaristas consideraram ter havido um empate, enquanto outros até evidenciavam o triunfo de Steinmeier, muito por causa da segurança dele na defesa de seus argumentos.

Os políticos dos três partidos da oposição, liberais, verdes, e esquerda, concordaram que o debate mais pareceu uma amistosa conversa de amigos, não um embate entre oponentes.

Com a mesma opinião ficaram os espectadores. Segundo uma enquete da rede de televisão "ZDF", 31% deles atribuiu melhor desempenho a Steinmieier, 28% a Merkel, e 40% percebeu um empate.

Apesar de morno, Steinmeier tirou maior partido do programa.

Antes do encontro, 64% da população considerava que Merkel era mais idônea para o cargo, e 29% pensava o mesmo de Steinmeier. Após o debate, uma nova pesquisa apontou que o apoio a chanceler havia recuado para 55% e o respaldo ao rival, subido para 38%. EFE ih/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG