Merkel e Steinmeier, o discreto carisma da normalidade

Gemma Casadevall Berlim, 19 set (EFE).- A campanha pelas eleições gerais alemãs entra em sua última semana sem aquela habitual rivalidade, contagiada pelos estilos conciliadores e tranquilos da titular, Angela Merkel, e seu rival social-democrata, Frank-Walter Steinmeier, dois políticos que baseiam seu carisma na normalidade.

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Merkel avança rumo à reeleição sem despentear-se, Steinmeier não se esforça pedindo votos: a ambos oponentes lhes une uma serenidade desconcertante em um sprint onde se joga o futuro Governo ou a passagem à oposição.

A agenda da chefe de Governo e presidente da União Democrata-Cristã (CDU) não é a habitual na reta final de campanha: a meia semana interromperá os comícios para viajar à cúpula do G20 em Pittburgh (EUA) e voltará no sábado para o fechamento de campanha, véspera do domingo eleitoral, dia 27.

Steinmeier sim tentará arranhar o voto dos indecisos, apesar às nulas expectativas que lhe dão as pesquisas de superar Merkel, chefe na Chancelaria em seus quatro anos de ministro de Assuntos Exteriores, cuja União avantaja aos social-democratas em nove pontos, segundo as últimas previsões.

Merkel combinará a campanha com os compromissos internacionais - e acrescentará sua reputação em casa como líder de categoria mundial -, enquanto seu rival buscará encurtar distâncias sem perder o sorriso.

A tranquilidade da chanceler não se deve unicamente a sua superioridade nas pesquisas e a determinação de Steinmeier a não sair de seu roteiro também não se limita ao fato que até agora se comportaram como harmônicos parceiros de coalizão.

Faz parte de uma maneira peculiar de sustentar seu carisma na aparência de pessoas normais. Ou seja, o mais próximo possível a seus concidadãos, aos que por sua vez não lhes preocupa a pouca variação de vestuário que exibe o líder da primeira potência europeia.

Seus respectivos antecessores - o chanceler social-democrata Gerhard Schröder e seu ministro de Assuntos Exteriores, o verde Joschka Fischer - faziam a festa da imprensa com seus vibrantes discursos no Parlamento e um estilo de vida algo mais sofisticado.

Schröder, ainda antes de chegar à Chancelaria, deixou que a separação com sua terceira esposa, Hiltrud, e o romance com a qual foi a quarta, Doris, se transformasse em acontecimento midiático.

Já no poder, os Schröder seguiram o modelo de casamento midiático ao estilo de um presidente dos Estados Unidos.

Fischer, durante seus anos na oposição o orador mais temido do Parlamento, lhe foi à retaguarda com um histórico de casamentos parecido, até dar com seu atual casal, a germânico-iraniana Minu.

Schröder e Fischer brindaram bom material à imprensa e alegraram a vida política com frases brilhantes, mas foram a exceção que confirma a regra não escrita que na Alemanha aos políticos se lhes pressupõe discrição.

Merkel e Steinmeier são o avesso da moeda. A líder da CDU quase não era vista em público com seu esposo - o catedrático de Química Joachim Sauer - enquanto esteve na oposição e, já transformada em chefe do Governo, seu marido limita suas aparições a eventos especiais. Steinmeier e sua esposa Elke respondem ao perfil de casamento estável e sem excentricidades.

O aspirante social-democrata, forjado à sombra de Schröder - de quem foi ministro da Chancelaria -, copiou daquele os gestos e até a voz, mas não é o animal de campanha que foi o ex-chanceler, que sim se esforçava até a roquidão atrás do último voto.

Ao abrir-se a corrida eleitoral, os analistas consideravam que Steinmeier não alcançaria o que Schröder conseguiu frente a Merkel em 2004: virar o jogo desde a posição de clara desvantagem que davam ao SPD as pesquisas até ficar no empate técnico que deu passagem à grande coalizão.

A uma semana das eleições, não se vaticina ao SPD uma recuperação milagrosa. Sim é de destacar, no entanto, que os três pontos que ascendeu o SPD esta semana sucedem ao único duelo televisionado que mantiveram Merkel e Steinmeier, no domingo passado.

Steinmeier se comportou aí como um rival conciliador, a uma enorme distância da arrogância que caracterizou a Schröder. Uma semana depois, as pesquisas lhe gratificam com a única subida notável que experimentou o SPD em meses. EFE gc/fk

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