Merkel diz que economia mundial enfrenta maior desafio desde a década de 20

Berlim, 15 out (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que a economia mundial está diante de seu maior desafio desde a década de 20 e por isto pediu no Parlamento o apoio dos deputados ao pacote de resgate bancário aprovado por seu Governo em conjunto com outros países.

EFE |

Em pronunciamento ao Bundestag por ocasião da primeira leitura desta lei financeira excepcional, que deverá ser aprovada na próxima sexta, Merkel alertou que, apesar de os mercados terem respondido bem à ação internacional, "o perigo ainda não passou".

A dirigente democrata-cristã defendeu a decisão de seu Governo de intervir na crise e afirmou que, "diante dos excessos vividos nos mercados, era necessário que o Estado, como guardião da ordem, assumisse o controle".

Ela recordou os pontos essenciais do programa: avais públicos no valor de 400 bilhões de euros para incentivar os créditos interbancários e a compra de pacotes de ações dos bancos particulares por um total de 80 bilhões de euros para reforçar o capital das instituições.

No fundo de emergência ou orçamento paralelo previsto para tramitar este dinheiro fluirão os citados 80 bilhões de euros, além de outros 20 bilhões que o Estado reserva para o caso de ser necessário aplicar parte dos avais, o que Merkel já classificou de improvável.

Ao todo são 100 bilhões de euros, "valor incomensurável, necessário para salvar a economia e os cidadãos, e não os interesses dos bancos", declarou Merkel.

"Não haverá prestações sem contraprestações", declarou a chanceler, que afirmou que os bancos nos quais o Estado intervier deverão cumprir uma série de regras, como, por exemplo, limitar os salários de seus executivos.

A chanceler reafirmou que além deste primeiro pilar de "uma nova ordem financeira", será necessário um segundo, em escala mundial, cuja incumbência deverá ser reformular as regras internacionais dos mercados.

Neste segundo bloco de reformas será necessário melhorar a transparência das agências de rating, que avaliam os produtos financeiros, e dotar o Fundo Monetário Internacional (FMI) de poder de supervisão.

Merkel anunciou a criação de uma comissão de analistas que desenvolverá propostas para o encontro previsto entre o G8 (os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia) e os países emergentes, ainda neste ano.

Informou que o grupo será liderado pelo ex-presidente do Bundesbank Hans Tietmeyer, anúncio que desencadeou protestos da oposição, por se tratar de um expoente das correntes monetaristas e da liberdade dos mercados.

"É o pior assessor que podia ter escolhido", disse em seu discurso o líder do opositor partido da Esquerda e ex-ministro das Finanças social-democrata, Oskar Lafontaine.

O dirigente lembrou que em 2006 Tietmeyer afirmou no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) que os políticos tinham se permitido cair sob o controle dos mercados financeiros.

"O problema de tudo isto é que parecia bom para Tietmeyer que fosse assim", declarou Lafontaine, que em seu discurso pediu reformas muito mais radicais para evitar uma repetição da crise, como, por exemplo, um novo sistema fixo de taxas de câmbio para acabar com a especulação e a regulação dos mercados de capital internacionais.

Poucas horas depois e após os protestos causados por sua nomeação, Tietmeyer - que também é membro do conselho de vigilância do banco Hypo Real Estate, recentemente resgatado pelo Estado da ameaça de quebra - renunciou ao cargo.

O atual ministro das Finanças, Peer Steinbrück, justificou a mudança de rumo realizada pelo Governo e por ele mesmo em apenas algumas semanas - entre outros pontos, passou da rejeição categórica da aprovação de uma nacionalização parcial dos bancos - e afirmou que a crise aconteceu de forma inesperada.

"Existe um antes e um depois da quebra do Lehman Brothers", declarou Steinbrück, que lembrou que a falência deste banco de investimentos americano provocou um efeito dominó que se estendeu por toda a Europa. EFE ih/ev/fal

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