Merkel de aliado novo, mas a mesma chanceler de todos

Gemma Casadevall. Berlim, 28 set (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, começou hoje a compor o segundo Governo com o novo parceiro, o pujante Partido Liberal (FDP), mas com o compromisso de seguir sendo a chanceler de todos os alemães, sem perder de vista o equilíbrio social.

EFE |

"A União é com um partido de centro, mas eu sou a mesma pessoa, a chanceler de todos os alemães".

A União - formada pela União Democrata-Cristã e os correligionários da União Social-Cristã da Baviera (CDU/CSU) - alcançou 33,8% dos votos - uma queda de 1,4% com relação a 2005 - e poderá formar Governo com o FDP, graças a forte ascensão liberal.

Merkel espera que as negociações de coalizão com o futuro parceiro sejam rápidas, mas não precipitadas e que estejam fechadas no início de novembro.

"Em 9 de novembro, nas comemorações do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, eu gostaria de receber os chefes de Estado e os Governos europeus e outros hóspedes com um novo gabinete", contou a chanceler.

Ele disse que a rapidez no entendimento tem também como objetivo responder ao compromisso de impulsionar o crescimento e a criação de emprego, em um momento economicamente complexo.

A chanceler conta com a concordância do líder do FDP, Guido Westerwelle, que em entrevista paralela a dela expressava o desejo de fazer o mais rápido possível profundas e responsáveis negociações.

Westerwelle pesou assim a importância do FDP no segundo Governo de Merkel, quem após a distribuição partidária de ministérios que teve na grande coalizão, volta ao esquema tradicional alemão de parceria com um aliado menor - portanto, com menos ministérios.

Merkel e Westerwelle evitaram falar sobre a divisão de ministérios e insistiram em que primeiro é preciso analisar os conteúdos.

Existe o entendimento entre os futuros parceiros sobre o arrefecimento do calendário de abandono da energia nuclear - questão à qual se fechou o SPD - e também na intenção de não introduzir um salário mínimo interprofissional - outra reivindicação social-democrata agora definitivamente derrotada.

Entre as questões controvertidas, está o desejo liberal de acelerar rebaixamentos impositivos - que Merkel não quer realizar até meados da nova legislatura -, aliviar os impostos às empresas e, também, eliminar o seguro-desemprego para os demitidos de companhias com até 20 empregados.

Outros pontos precisam ser delimitados - da saúde pública ao serviço militar obrigatório, que o FDP quer retomar - e não há tempo a perder, por isso nesta segunda-feira será realizada a primeira reunião, explicou Westerwelle.

O atual ministro de Exteriores e vice-chanceler, o derrotado Frank-Walter Steinmeier, será o chefe do grupo parlamentar da oposição, lembrou Merkel em tom irônico, é tarefa incompatível com o membro do Governo.

"Espero que ele continue como meu vice-chanceler até o final da legislatura", ironizou Merkel, pedindo aos ainda parceiros que não deixem se levar pela precipitação após a dolorosa derrota.

A chanceler encomendou uma pesquisa de opinião sobre os resultados das eleições gerais, consciente que sua União registrou os piores resultados desde os anos 50.

Os 33,8% é o segundo pior resultado da formação na história da República Federal da Alemanha, depois dos 31% obtidos em 1949 por Konrad Adenauer.

Especialmente notável foi a queda da CSU na Baviera, que ficou em 42,6%, seu recorde absoluto em baixa.

A migração dos votos ocorreu nas fileiras de Westerwelle e de acordo com o princípio de não se deixar levar nem pelo negativismo da derrota nem pela euforia na vitória, Merkel quer ver o que há por trás da redução. EFE gc/dm

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