Merkel avança rumo à reeleição mesmo com avanço opositor

Gemma Casadevall. Berlim, 18 set (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, parece ter garantido sua reeleição apesar de um notável avanço dos adversários social-democratas, que mantêm a esperança de decidir o pleito a seu favor nas urnas.

EFE |

Recém chegada da reunião extraordinária de chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE) realizada ontem em Bruxelas, Merkel apareceu para falar com a imprensa teoricamente sobre a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países desenvolvidos e principais emergentes) da semana que vem, nos Estados Unidos, mas abriu espaço para perguntas sobre a campanha eleitoral.

"Qualquer pergunta será bem-vinda", disse uma sorridente Merkel sob uma chuva de flashes.

"A nove dias das eleições, não podemos encarar as pesquisas como se fossem mais do que isso. Nisso, estamos de acordo", disse, em alusão ao lema de seu adversário social-democrata e ministro de Assuntos Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, de não crer nas enquetes, apenas nas urnas.

"Mas sim, a verdade é que os números são animadores", disse a chanceler, no que provavelmente foi sua última grande entrevista coletiva antes das eleições.

De acordo com os números divulgados hoje pelo instituto de pesquisas Infratest, a coalizão União Democrata-Cristã e União Social-Cristã da Baviera (CDU/CSU) obteriam 35% dos votos e o Partido Liberal (FDP), 14%.

Isso significa que somariam 49%, o que lhes daria a maioria parlamentar, de acordo com o sistema eleitoral alemão, baseado em uma fórmula mista, na qual o eleitor vota de duas formas.

Metade do Parlamento é formada pelos candidatos escolhidos diretamente pelo eleitor em seu distrito e o restante vem do chamado voto de legenda, no qual o eleitor vota na lista de um partido.

Com isso, Merkel e seus principais aliados ficam no mesmo patamar das semanas anteriores, enquanto o Partido Social-Democrata (SPD) de Steinmeier subiu três pontos percentuais, até 26%.

É a primeira vez em meses que Steinmeier encurta de forma significativa a distância em relação à dupla CDU/CSU, que chegou fica 14 pontos percentuais à frente do SPD.

A queda da diferença para nove pontos deve incentivar o ministro a reforçar sua tese de campanha de que a disputa ainda não está decidida. No entanto, isso não prejudica os votos para a chanceler, mas sim um hipotético bloco liderado pelo SPD, já que os Verdes e A Esquerda são as legendas que mais têm perdido espaço nas pesquisas.

"Nossa intenção é formar uma coalizão com os liberais, embora esta dependa de alguma cadeira adicional", declarou Merkel quando perguntada sobre se optará pelo FDP como parceiro, inclusive se sua maioria depende dos chamados mandatos suplementares.

Esse tipo de mandato é concedido quando o número de candidatos eleito de forma direta supera a quantidade de cadeiras à qual um partido teria direito pelo voto de legenda.

A legenda pode ficar com tais mandatos excedentes, aumentando o número total de parlamentares.

Merkel ratificou assim sua aposta pelo FDP, sem deixar de reafirmar o bom balanço da coalizão de sua legislatura.

"Uma grande coalizão surge de situações excepcionais. Juntos, contivemos a crise internacional, mas agora devemos ver com que partido podemos sair mais rapidamente da crise. Para tanto, temos uma maior afinidade de programa com os liberais", afirmou a chanceler.

Merkel não conseguiu dissipar a sensação latente entre a imprensa e especialistas de que preferiria continuar à frente de uma grande coalizão e contar com seu ministro preferido, o de Finanças, o social-democrata Peer Steinbrück.

Sua opção pelo FDP, à margem das afinidades tradicionais, parece se basear na correlação de forças desejada em seu futuro Governo. Em sua grande coalizão, a repartição é paritária, enquanto um parceiro menor ficaria com três ou quatro Ministérios.

Coerente com seu estilo, Merkel falou sobre suas preferências, mas não excluiu outras possibilidades, nem uma futura aliança - "não para a próxima legislatura" - com os antigos inimigos da CDU/CSU, os Verdes.

Desta forma, a chanceler aponta para um hipotético formato de três partidos caso não consiga os votos do FDP e a atual grande coalizão não persista. EFE gc/bba

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