Mercosul opta por dar prioridade à saúde frente a interesses comerciais

Buenos Aires, 13 jun (EFE).- O Mercosul e países associados se comprometeram hoje a dar prioridade ao direito à saúde frente aos interesses comerciais das empresas farmacêuticas, entre outros acordos de uma reunião ministerial realizada em Buenos Aires.

EFE |

Os ministros de Saúde dos países membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai); da Venezuela, em processo de entrada no bloco; e de Bolívia, Chile, Equador e Peru também resolveram avançar na cooperação para a fabricação conjunta de remédios.

Além disso, decidiram medidas para prevenir a febre amarela e melhorar o combate a essa doença, além de promover a doação voluntária de órgãos, para o que se criará um banco de dados.

"As doenças nada sabem de fronteiras entre países nem entre regiões: a harmonização das políticas regionais de saúde é a melhor ferramenta para enfrentar os problemas sanitários que perfuram todas as fronteiras", destacou a ministra de Saúde argentina, Graciela Ocaña.

Ela disse que o compromisso de dar prioridade ao direito à saúde frente aos interesses das empresas farmacêuticas responde a uma nova estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta o combate a doenças que afetam sobretudo países em vias de desenvolvimento.

Neste sentido, indicou que a OMS aponta a necessidade de promover o acesso aos remédios a fim de fomentar a pesquisa impulsionada pelas necessidades reais da população, ao invés das pautadas pelo mercado.

"Ao assinalar este compromisso, fortalecemos nossa estratégia do Mercosul, baseada na defesa do direito à saúde em detrimento dos interesses comerciais", especificou Ocaña.

O ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão, explicou por sua vez que foram assentadas as bases para que os países da região fabriquem conjuntamente remédios para doenças que afetam sobretudo a parcela mais pobre da população, como a tuberculose, o dengue e a febre amarela, entre outras às quais os laboratórios não dedicam maior atenção.

O Brasil, um dos maiores produtores de vacinas contra a febre amarela, transferirá seus conhecimentos nesta área ao restante dos países da região.

Ocaña e Temporão assentaram as bases de ações conjuntas que serão levadas à frente por Brasil e Argentina para prevenir e combater os surtos de febre amarela e dengue durante o próximo verão.

Ambos os países têm vigentes acordos para a fabricação conjunta de remédios. EFE alm/gs

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