Mercosul e UE continuam sem alcançar acordo comercial

Lima, 17 mai (EFE) - A União Européia (UE) e o Mercosul não conseguiram hoje superar suas divergências para avançar nas negociações de um acordo comercial em uma reunião realizada em Lima, que foi concluída com uma declaração conjunta de boas intenções com vista na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). O maior obstáculo das negociações entre Bruxelas e o Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, está nas tarifas industriais e agrícolas. Durante a reunião, liderada pela presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e pelo presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, ficaram evidentes as diferenças entre os dois blocos. Fontes presentes na negociação disseram à Agência Efe que Cristina Fernández e Barroso se mantiveram firmes na defesa dos interesses de cada um dos blocos durante um diálogo franco e com certa tensão. Em uma de suas intervenções, Barroso advertiu à presidente argentina de que o Mercosul não vai conseguir que a UE flexibilize sua postura na troca agrícola se não fizer concessões no campo de indústrias e serviços. Se não houver concessões no âmbito industrial, não será possível que os países da UE dêem seu sinal verde a reduções no âmbito agrícola. Nem dentro da OMC nem no marco bilateral, advertiu o presidente da CE.

EFE |

Segundo as fontes, Cristina lembrou Barroso de que o Mercosul não se nega a rever suas tarifas industriais e insistiu em que "a discussão está no quanto" e deve levar em conta as diferenças econômicas e sociais existentes entre cada um dos blocos.

"O que estou colocando é se reconhecemos as assimetrias, as diferenças no desenvolvimento social de cada um, se não, estivemos fazendo um exercício inútil durante este fim de semana", denunciou Cristina Kirchner.

Ela se referia aos compromissos de boas intenções para combater a pobreza e a exclusão social contraídos durante a 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês).

"Não é na União Européia que está a maior quantidade de pobres, a maioria dos pobres está na América Latina. O bloco em baixa somos nós", lembrou Cristina.

Apesar da estagnação nas negociações, no final do encontro tanto a presidente argentina como Barroso avaliaram a importância da reunião.

"Discutiu-se com franqueza e realismo", comentou a governante da Argentina, que está na Presidência de turno do Mercosul.

"Avançamos", disse Barroso em breves declarações a um grupo de jornalistas, nas quais especificou, no entanto, que "é necessária uma maior flexibilidade das economias emergentes, se não, não haverá acordo global".

Fontes latino-americanas disseram que com a atual oferta da União Européia, "o custo não compensa o lucro" para o Mercosul.

Ambas as partes esperam agora a reunião do Conselho de Cooperação que acontecerá no segundo semestre de 2008 e o próximo encontro da Rodada de Doha. EFE mar/rr/db

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