Mercosul discutirá a ameaça da fome e da expulsão de imigrantes na Europa

Os governantes dos países do Mercosul e seus associados vão debater como enfrentar o fantasma de uma crise alimentar e as dificuldades de reviver o processo de integração, sem esquecer a ameaça de expulsão dos imigrantes da Europa, durante reunião que transcorrerá nesta segunda e terça-feira em Tucumán, norte da Argentina.

AFP |

Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina participarão como membros plenos do bloco, que conta ainda com a Venezuela, ainda sem direito a voto, enquanto que Chile, Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e México participam como convidados nesta XXXV reunião de cúpula.

Enquanto a política de segurança alimentar da presidente argentina Cristina Kirchner, que se baseia nos impostos às multimilionárias exportações, está em xeque em seu próprio país - ela enfrenta uma rebelião de agricultores apoiados pela oposição, uma estratégia diferente ante o fantasma da fome é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se opõe de fato aos controles e regulações de preços.

"Quanto mais produzimos, mais segurança alimentar teremos. Com preços justos se poderá exportar mais", afirmou Lula, que apresenta seu país como o novo celeiro do mundo.

Falar da fome colocará um dedo na ferida de Tucumán, a província de 1,4 milhão de habitantes que foi notícia em todo mundo na grande crise de 2001, quando as crianças morriam de desnutrição nos hospitais.

Por outro lado, o presidente do Equador, Rafael Correa, será um dos mais interessados na declaração de condenação do Mercosul e seus sócios contra a Diretriz de Retorno aprovada pela União Européia (UE) para prender e expulsar imigrantes sem documentos, uma vez que milhares de equatorianos radicados na Europa mandam dinheiro para suas famílias em casa e ajudam na economia do país.

O Mercosul, por sua vez, irá no caminho contrário, e aprovará uma norma que elimina o uso de passaportes para circular pelas dez nações do bloco e seus associados, sem xenofobias ou racismos.

A medida tentará revitalizar a frágil união sul-americana assim como o anunciado incentivo à integração produtiva que será assinado pelos presidentes.

Em compensação, o lançamento do Código Alfandegários será adiado até que assuma o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que deverá fixar a postura de seu país neste tema delicado.

A questão da adesão plena da Venezuela ao bloco continuará sem avançar à espera da luz verde que deve ser dada pelos parlamentares do Brasil e do Paraguai.

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