Mercenários americanos serão julgados por 14 homicídios no Iraque

Washington, 8 dez (EFE).- O Governo dos Estados Unidos acusou hoje de 14 homicídios e outros crimes cinco guardas de segurança da firma Blackwater Worldwide, pela morte de 17 civis em um incidente há mais de um ano em Bagdá.

EFE |

Os cinco ex-soldados se entregaram hoje às autoridades na cidade de Salt Lake City, Utah, onde poderia ocorrer o julgamento. Um sexto membro do grupo de guardas já se declarou culpado de homicídio em um acordo negociado com a Procuradoria.

Segundo o Departamento de Justiça, os seguranças, que faziam parte de um comboio de veículos blindados, usaram a tática militar conhecida como "fogo de supressão" em um cruzamento de Bagdá, em 16 de setembro de 2007.

De acordo com o Governo, os guardas privados usaram metralhadoras e lança-granadas contra civis nas ruas da capital iraquiana. Como resultado, morreram 17 civis, entre eles crianças.

Os empregados de Blackwater enfrentam acusações de homicídio, tentativa de homicídio e uso de armas de guerra para cometer homicídio.

Cada uma das acusações de homicídio prevê pena de até 10 anos de prisão; cada acusação de tentativa de homicídio, uma de seis anos de prisão, e cada acusação de uso de armas de guerra na comissão de homicídio tem pena máxima de oito anos.

Os cinco guardas de segurança privada chegaram no começo da manhã, acompanhados de seus advogados, ao edifício do tribunal federal na capital de Utah, e não deram declarações à imprensa.

A firma Blackwater sustenta que seus seis empregados atiraram em legítima defesa, após serem atacados.

Uma investigação do Governo iraquiano concluiu que os agentes abriram fogo contra a multidão sem motivo nem provocação, enquanto outra investigação militar americana revelou que os agentes de segurança foram os únicos que abriram fogo nesse tiroteio.

Este incidente pôs em xeque o papel das empresas de segurança terceirizadas pelo Departamento de Estado e a suposta imunidade com que operavam no Iraque.

Fontes próximas ao caso assinalaram à imprensa americana que os mercenários escolheram se entregar em Salt Lake City, onde vive um deles (Donald Ball), porque ali poderiam obter um júri mais conservador do que em Washington.

O jornal "The Salt Lake Tribune" indicou que o advogado Brent Hatch, dessa cidade, e uma equipe que representa os cinco acusados disseram que "qualquer das jurisdições onde vivem estes homens seria um lugar apropriado para o julgamento".

A Blackwater Worldwide é uma firma americana que emprega, principalmente, ex-soldados e ex-policiais, e fornece guarda-costas e unidades mercenárias de operações táticas em diversas partes do mundo.

No Iraque, à parte dos quase 150 mil soldados americanos, há mais de 125 mil "seguranças privados" empregados por dezenas de firmas e que dão desde apoio técnico até serviços de cantina, coleta de resíduos, custódia de instalações, proteção de funcionários e companhia armada para comboios. EFE jab/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG