Mercadante desiste de deixar liderança do PT no Senado

Brasília, 21 ago (EFE).- O líder da bancada do PT no Senado, Aloizio Mercadante, anunciou hoje que continuará no posto, apesar da pretensão de renunciar por causa da pressão do Governo a favor do presidente dessa câmara, José Sarney (PMDB-AP).

EFE |

Mercadante explicou no plenário do Senado que, na quinta-feira à noite, teve uma conversa "franca, dura e sincera" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o convenceu a se manter na liderança do PT no Senado.

O senador anunciou ontem que deixaria o cargo em protesto por "pressões" do Governo e do próprio Lula, que forçaram o PT a impedir que fossem levadas adiante investigações de denúncias de corrupção contra Sarney.

Mercadante reiterou que essa não era nem é sua "posição", e que o "caminho correto" devia ser o da "transparência e rigor", e para isso era necessário que Sarney tirasse pelo menos uma licença da Presidência do Senado e "fosse investigado".

Manifestou que o apoio que teve que dar a Sarney em função da disciplina partidária lhe causou "frustração" e um "sentimento de desilusão".

No entanto, disse que, após 30 anos de lutas junto a Lula, não podia "dizer não" perante o pedido do presidente de que continue à frente da bancada do PT.

O senador leu uma carta que Lula lhe enviou hoje, depois da conversa de ontem à noite, na qual admite que "não foi fácil construir alianças" como a do PT com o PMDB, e que "as dificuldades e divergências fazem parte" desse processo.

Mercadante disse que entende "a necessidade de preservar essa aliança" e, embora tenha decidido atender o pedido de Lula, advertiu do "custo político" para um partido que nasceu "sob as bandeiras da ética" a fim de manter "a governabilidade".

A pressão exercida pelo Governo a favor de que se impeça a investigação sobre as denúncias contra Sarney levou o senador Flávio Arns a anunciar sua saída do PT.

Além disso, esta semana, a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, também saiu do PT e estuda agora a ideia de se filiar ao PV, que lhe propôs ser candidata à Presidência nas eleições do próximo ano.

Apesar de todo esse quadro, Lula garantiu ontem que o PT não passa por "nenhuma crise" e minimizou o impacto político das renúncias de Arns e Marina.

Segundo Lula, os militantes ou parlamentares que quiserem sair do partido podem fazê-lo, porque "é um direito", mas isso não impedirá que o PT "continue forte". EFE ed/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG