Grupo interministerial será criado para acompanhar tragédia no Japão, mas ministro aguardará recomendações internacionais

O ministro de Ciência e Tecnologia (MCT), Aloizio Mercadante, descartou esta terça-feira que uma crise nuclear similar a que vive o Japão atinja o Brasil. Para Mercadante, o histórico de acidentes naturais no país oriental é diferente do brasileiro.

“No Brasil não tem os terremotos, tsunamis ou maremotos que têm no Japão”, disse o ministro, em entrevista coletiva no MCT. “O Brasil não tem fronteira de placa tectônica. Tem chuvas, inundações e desmoronamentos, como já aconteceram em Angra dos Reis”.

Mercadante afirmou que o programa nuclear brasileiro tem uma “linha de defesa mais rigorosa”. “São dois modelos de reatores distintos. O nosso reator é um pouco mais moderno. As paredes são mais robustas do que reator japonês e a nossa usina é capaz de aguentar tsunamis de até sete metros de altura e eventuais terremotos de 6,5 graus na escala Richter”.

Na coletiva, o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, afirmou que o programa nuclear brasileiro prevê a construção de quatro a oito novas usinas no país até 2030. Segundo ele, o gasto da segurança com a área nuclear corresponde de 4% a 5% ao custo de operação das usinas.

O ministro anunciou a criação de um grupo de trabalho interministerial para acompanhar a crise nuclear no Japão. A ideia é produzir um boletim diário a ser disponibilizado no site da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com base nas informações técnicas divulgadas pelas agências internacionais de energia atômica.

Mercadante rejeitou mudanças na política energética do país, afirmando que a “responsabilidade é do Ministério de Minas e Energia”, mas adiantou que aguardará recomendações de agências internacionais para serem incorporadas ao programa nuclear brasileiro.

“Não haverá atropelo nessa matéria. Não há informações finalísticas sobre o que acontece no Japão porque o problema está em evolução”, reforçou. “Episódios como esse servirão para a elaboração de novos protocolos. O Brasil está empenhado para contribuir e estará associado a eles, para que novas providências sejam tomadas”. Veja na galeria as imagens da crise nuclear no Japão:

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