Mensagens de celular tentam quebrar bloqueio de Israel no Ramadã

Saud Abu Ramadan. Gaza, 26 ago (EFE).- O serviço de mensagens de texto por telefone celular, ou SMS, permitem aos habitantes da Faixa de Gaza quebrar o bloqueio de Israel em um mês festivo como o Ramadã, para felicitar parentes e amigos que moram fora do território palestino Esse é o meio utilizado por Khalil Mheisen, um comerciante do bairro de Zeitoun, ao sul da cidade de Gaza, a quem as teclas de seu celular têm servido para expressar os melhores desejos a seus entes queridos na Cisjordânia e Egito, durante o Ramadã.

EFE |

Desde o início do mês de jejum e abstinência, no sábado, Mheisen enviou e recebeu dezenas de mensagens de felicitação, algo que ele gostaria de fazer pessoalmente, mas que limita ao telefone porque há dois anos não pode sair da faixa, devido ao cerco israelense.

"Esta tecnologia me permite cumprir com meus compromissos sociais e superar a barreira que me impede o contato pessoal com familiares e amigos", explica, após lembrar que o SMS é o meio mais barato para se comunicar com o exterior.

Porta-vozes da companhia Yawal, encarregada pelo serviço de telefonia celular de Gaza, destacaram a variedade e a imaginação das mensagens enviada pelos usuários durante o mês festivo.

Algumas mensagens incluem versos de poesia, levam imagens do paraíso anexadas e outras reproduzem versículos do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Também não faltam os que fazem votos pelo fim do bloqueio que Israel determinou em 2007, com a tomada do poder pelos islamitas do Hamas em Gaza, e que impede a entrada de produtos básicos na faixa.

A avalanche de mensagens durante o Ramadã começou a criar problemas de sobrecarga no serviço, que têm causado descontentamento nos clientes da Yawal.

Muna Jaldoun, estudante na Universidade de Gaza, se queixa que passa horas mandando mensagens a suas amigas que vivem fora da faixa e "muitas delas não chegam a seu destino". Durante a entrevista à Agência Efe, o celular de Muna tocou avisando sobre o recebimento de um SMS.

"Você é tão doce quanto o açúcar. Felicidades, te desejamos um estupendo mês santo", dizia a mensagem.

A facilidade de envio das mensagens de texto não fez Ayman al-Jamal, um desempregado, esquecer o calor do contato pessoal com seus parentes, algo que sente saudades.

"Me preocupa o fato de que as mensagens por celular possam substituir as visita às casas, o que é tradicional durante o Ramadã", diz Ayman, que reconhece que "nas circunstâncias atuais, não me resta outra opção e utilizo as mensagem para felicitar minha gente".

"Confio que algum dia deixarei de utilizá-las. Significaria que posso sair de Gaza para ver meus entes queridos e abraçá-los, senti-los de verdade ", acrescenta.

A maioria dos SMS tem caráter festivo e religioso, mas é muito comum a presença de manifestações ideológicas, que refletem o atual conflito político sofrido pelo povo palestino.

Entre os simpatizantes do movimento nacionalista Fatah - liderado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, que controla a Cisjordânia - mensagens defendendo a queda do Governo do Hamas em Gaza se tornaram comuns.

Já entre os militantes do Hamas, mensagens contrárias também são muito enviadas, pedindo a queda do Governo de Abbas na Cisjordânia e a tomada do poder pelo Hamas"b antes do próximo Ramadã". EFE sar-amg/pd

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