Mensagem de Obama resgata respeito mútuo, dizem analistas no Irã

A mensagem desta sexta-feira do presidente americano Barack Obama de um novo começo, direcionada ao Irã, pode sinalizar o início de uma era de respeito mútuo, segundo analistas iranianos ouvidos pela BBC Brasil.

BBC Brasil |


O professor iraniano Mehdi Sanaei, do departamento de Ciência Política da Universidade de Teerã, disse que o discurso de Obama foi uma grande iniciativa de diplomacia da nova administração americana.

"A mensagem do presidente americano com certeza será bem vista entre o povo iraniano, pois veio de um chefe de Estado, da maior potência do mundo e mostrou respeito pelo Irã", disse Sanaei por telefone à BBC Brasil.

O professor se mostra, no entanto, cauteloso se o discurso de Obama refletirá a realidade e a prática das ações americanas com relação ao Irã.

"Sem dúvida o governo iraniano receberá bem as palavras de Obama. Mas as sanções contra o país foram renovadas, e isso por si só deixa o Irã cético e desconfiado sobre as intenções americanas".

Assista à mensagem de Barack Obama (em inglês):

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos renovou as sanções econômicas ao Irã, que existem desde 1995 e que proíbem que empresas americanas negociem com companhias iranianas ou investir no país.

O analista iraniano Saeed Laylaz, vice-ministro no governo do ex-presidente reformista Mohamed Khatami, disse à BBC Brasil que a nova administração americana fez bem em acalmar as animosidades entre os dois países.

"Até o ano passado se falava em guerra, em atacar o Irã, os discursos eram agressivos e não ajudavam a diplomacia em resolver as questões fundamentais", disse Laylaz por telefone.

Para ele, o Irã não terá problema em negociar com o Ocidente, de abrir mão de alguns de seus direitos se enxergar sinceridade e vontade dos EUA e outros países ocidentais de conversar com o governo iraniano.

"É uma questão simples e envolve respeito mútuo. E isso, ao que parece, o presidente Obama percebeu e tenta consertar os estragos feitos pelo governo anterior", disse ele.

Mas Laylaz também diz que as sanções econômicas contra o Irã deveriam ser abolidas. "Seria a forma de Obama transformar em atos suas palavras direcionadas ao povo iraniano e seus líderes. É uma questão simples: para negociar deve-se ter uma relação de igual para igual, sem sanções e sem pressões", salientou Laylaz.

Assim como os analistas do Irã, o analista político árabe da Universidade Americana de Beirute, Rami Khoury, a mensagem de Obama trouxe uma nova esperança não somente para os iranianos, mas para os árabes no Oriente Médio.

"O Irã tem grande influência na região e uma política agressiva ao país reflete imediatamente em outros países árabes", destacou Khoury.

O Irã apoia grupos como o Hezbollah, no Líbano e o Hamas, em Gaza, e á aliado da Síria e com boas relações com o Catar e Sudão.

"A estabilidade do Oriente Médio também passa pelo Irã, que pode ajudar os EUA a estabilizar o Iraque, por exemplo".

Khoury explicou que Obama já acertou em mudar o discurso agressivo do ex-presidente Bush. "É impensável que um país negocie sendo agredido e tratado como vilão a todo momento. O restabelecimento do respeito mútuo é o grande passo para uma normalização das relações entre americanos e iranianos".

Mas Khoury salientou que o Irã também deve fazer a sua parte, e mudar seus discurso ao tratar os Estados Unidos. "O Irã deve mudar suas atitudes, deixar de lado a retórica e o isolamento, se engajar mais na comunidade internacional de forma diplomática e construtiva".


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