Menos violento, Iraque encara eleições com EUA projetando retirada

BAGDÁ - O Iraque realiza neste sábado eleições provinciais - em seu primeiro pleito desde 2005 -, que coincidem com um período de diminuição da violência e uma mudança na política dos Estados Unidos após o anúncio da futura retirada de suas tropas do país asiático.

Redação com agências internacionais |

O processo eleitoral é colocado como uma prova ao governo iraquiano, que deverá mostrar se tem capacidade para manter a segurança no território, após ter assumido o controle de várias províncias que antes estavam sob supervisão de forças estrangeiras.

A administração também assinou recentemente um pacto com Washington que estipula a retirada total das tropas dos EUA antes de 2012.

"O pleito oferece uma verdadeira prova sobre a capacidade das tropas iraquianas de manter a segurança, sobretudo depois que o novo presidente americano, Barack Obama, disse estudar a possibilidade de uma retirada antecipada das tropas", afirma o analista político Amar al-Jafayi, também professor da Universidade de Bagdá.

Jafayi completa que até o momento não houve nenhuma "falha grave" na segurança visando às eleições, o que reforça a postura do governo, do Exército e da polícia iraquianos.

Ainda segundo o analista e professor universitário, os ataques isolados registrados recentemente no país são uma tentativa dos grupos insurgentes de desestabilizar a situação, sem que isso "afete muito" o processo político iraquiano.

Momento de relativa calma

As eleições deste sábad chegam em um momento de relativa tranqüilidade, com diminuição da violência em mais de 80% em 2008 frente aos anos anteriores, o que pode motivar muitos cidadãos a comparecer às urnas amanhã.

Um desses eleitores é Salman al-Mashadani, morador do bairro de Al-Adl, no oeste de Bagdá.

"Não participei de pleitos anteriores porque homens armados distribuíram panfletos ameaçando todos aqueles que pensassem em comparecer aos colégios eleitorais, mas agora votarei", afirmou Mashadani.

Apesar dessa aparente tranquilidade, alguns temem que a violência volte às ruas das cidades iraquianas por ocasião das eleições, já que alguns partidos políticos dispõem de milícias.

Um tenente do Exército iraquiano que pediu para não ser identificado disse que as forças de segurança prepararam um plano, "imaginando o pior", e por isso se mostrou confiante na hipótese de as medidas adotadas serem efetivas.

Um policial iraquiano que também optou por ter sua identidade preservada mostrou confiança nas medidas de segurança adotadas pelo governo. Afirmou que estas serão suficientes para que o processo eleitoral transcorra em um ambiente de calma.

O agente explicou que serão impostas medidas perto dos colégios eleitorais das 14 províncias que participam do pleito.

Assim, as forças de segurança serão distribuídas em três quarteirões ao redor dos colégios, com a polícia assumindo o controle do primeiro, o Exército do segundo, e as tropas multinacionais do terceiro.

Além disso, para garantir a transparência eleitoral, a Alta Comissão Eleitoral Independente do Iraque anunciou que não permitirá que os oficiais entrem nos colégios.

Militares e policiais já exerceram seu direito a voto nesta quarta-feira, junto com pacientes internados e detentos.

Hussein Azawi, capitão do Exército iraquiano encarregado de vigiar um dos centros de votação, explicou que todo o dispositivo de segurança adotado servirá para "abortar qualquer atentado suicida".

Citou como exemplo medidas como a construção de postos de controle de cimento em volta dos colégios eleitorais.

Para Azawi, "a estabilidade da segurança será um incentivo para que os eleitores participem da votação, sem nenhum temor".

Todos os esforços estão concentrados para que não se repita a mesma situação das últimas eleições provinciais, realizadas em 2005, quando houve uma onda de ataques suicidas que deixou centenas de vítimas.

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