Menos norte-americanos veem Islã como violento, aponta pesquisa

Por Ed Stoddard DALLAS (Reuters) - O percentual de norte-americanos que considera que o Islã estimula a violência caiu nos últimos anos, mas continua bem acima do que foi registrado em 2002, segundo uma nova pesquisa do Fórum Pew para a Religião e a Vida Pública, que apontou também um modesto avanço no conhecimento básico da opinião pública dos EUA a respeito dessa religião.

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A pesquisa foi divulgada às vésperas do oitavo aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, e em um momento em que o presidente Barack Obama busca uma aproximação com o mundo islâmico e vê decair o apoio popular nos EUA à guerra no Afeganistão. O instituto Pew ouviu 4 mil adultos em agosto

De acordo com a pesquisa, a maioria dos norte-americanos (58 por cento dos entrevistados) acredita também que há discriminação contra os muçulmanos, confirmando uma queixa frequente dos dirigentes islâmicos nos EUA. Para 26 e 24 por cento, respectivamente, existe discriminação contra mórmons e ateus.

"O fato de os norte-americanos acreditarem que os muçulmanos enfrentam muita discriminação é uma conclusão substancial (...). É como o público se olhando no espelho, e há alguma empatia por um grupo que enfrenta discriminação", disse o diretor-associado do Pew Research Center, Michael Dimock.

Como grupo, só os homossexuais são vistos como mais discriminados do que os muçulmanos -- 64 por cento dos entrevistados acham que há discriminação contra gays e lésbicas.

Nos últimos dois anos, caiu de 45 para 38 por cento o percentual de pessoas que consideram que o Islã é mais propenso do que outros credos a estimular a violência.

Mas esse número tem flutuado ao longo dos anos, e em 2002, na primeira pesquisa da série, no ano seguinte ao 11 de setembro, só 25 por cento dos entrevistados achavam que o Islã estimula mais a violência do que outras religiões.

Logo depois dos atentados da Al Qaeda contra Nova York e Washington, o então presidente George W. Bush fez declarações públicas afirmando que o Islã não era uma religião de violência.

Entre os republicanos conservadores, 55 por cento apontam um caráter violento no Islã. Entre os democratas liberais, 25 por cento pensam assim.

Avaliando o conhecimento do norte-americano acerca do Islã, o instituto Pew notou um ligeiro avanço, mas notou que a ignorância ainda continua grande.

"Uma ligeira maioria de norte-americanos sabe que o nome muçulmano para Deus é Alá, e um número similar consegue citar corretamente o Alcorão como o texto sagrado islâmico. No total, 41 por cento do público é capaz de responder a ambas as questões corretamente", disse o Pew. Em 2002, só 33 por cento respondiam corretamente a ambas as perguntas.

Mas 36 por cento dos norte-americanos ainda continuam "não-familiarizados com ambos os termos", segundo os responsáveis pela pesquisa.

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