Menos jornalistas foram mortos em 2008, diz grupo

Por Anna Willard PARIS (Reuters) - Menos jornalistas foram mortos em serviço este ano do que em 2007, em razão de uma forte queda no número de mortes no Iraque, informou o grupo Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, na terça-feira.

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Sessenta jornalistas morreram em todo o mundo em 2008, ante 86 em 2007, segundo o relatório anual da organização. O documento acrescenta que o declínio das mortes não é um sinal de avanço na liberdade de imprensa mundial.

"Os números podem estar mais baixos do que os do ano passado, mas isso não pode encobrir o fato de que a intimidação e a censura se tornaram mais disseminadas, incluindo no Ocidente", disse o Repórteres Sem Fronteiras.

O Iraque permaneceu como o país mais letal para repórteres, com 15 mortes ao longo dos últimos 12 meses, mas o número caiu bastante em relação aos 47 em 2007 e 46 em 2006.

Embora a violência tenha apresentado queda acentuada no Iraque cinco anos após a invasão liderada pelos Estados Unidos, carros-bomba, ataques suicida e assassinatos ainda fazem parte da rotina do país.

Depois do Iraque, Paquistão, Filipinas e México foram os países mais perigosos para repórteres, enquanto o número de mortos na África caiu de 12 em 2007 para 3 em 2008.

O grupo Repórteres Sem Fronteiras disse que isso ocorreu porque muitos jornalistas simplesmente pararam de trabalhar, com meios de comunicação aos poucos interrompendo a cobertura de zonas de guerra como a Somália.

O relatório também indica que um número menor de jornalistas foi detido, sofreu censura, foi sequestrado, sofreu agressão física ou ameaça em 2008.

Foram presos este ano 673 jornalistas, em comparação com 887 em 2007; 29 foram sequestrados ante 67 no ano anterior.

A censura e a intimidação ainda ocorrem de forma ampla, de acordo com o grupo. "À medida que a mídia impressa e transmitida por rádio e TV se desenvolve e a blogosfera se torna um fenômeno mundial, a atividade predatória se concentra cada vez mais na Internet", acrescentou.

O Repórteres Sem Fronteiras disse que pela primeira vez em 2008 um homem atuando como "cidadão jornalista" foi morto.

De acordo com a entidade, a China esteve à frente na repressão pela Internet, com 10 ciberdissidentes presos, 31 agredidos ou ameaçados e ao menos três julgados e condenados. Ao todo, 38 repórteres foram presos na China, muitos com fatos relacionados aos Jogos Olímpicos.

A censura online foi registrada em 37 países, liderada por China, Síria e Irã. Em Mianmar, jornalistas e blogueiros foram presos em uma sanção severa do governo militar.

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