Menores gays detidos em Nova York poderão usar a roupa íntima que quiserem

Nova York, 24 jun (EFE).- O estado de Nova York adotou uma das políticas mais liberais dos Estados Unidos ao reconhecer que os menores de idade homossexuais mantidos em centros de detenção têm direito a utilizarem a roupa íntima do sexo com o qual se identificam e a serem chamados pelo nome de sua escolha.

EFE |

A nova política não partiu do governador David Paterson, mas foi produto da reflexão sobre a situação dessa parcela da juventude, disse hoje à Agência Efe Gladys Carrión, diretora do Escritório de Serviços para Crianças e Famílias (OCFS, na sigla em inglês).

"Quando revimos como estávamos tratando os jovens, o que estava acontecendo em nossas instalações... Na realidade, havia uma urgência em promover um ambiente mais seguro e em reconhecer que eles não têm que estar sujeitos à discriminação. Isso foi o que motivou a nova política", explicou Carrión.

Segundo as novas regras, o OCFS tem obrigação de disponibilizar dez calcinhas e sutiãs de cada tamanho para todo interno que lhe fizer o pedido.

Além disso, o departamento está obrigado a permitir que os jovens gays detidos usem a maquiagem e o penteado que quiserem, sejam chamados pelo nome que escolherem e tomem banho em local privado.

Atualmente, o OCFS tem sob sua custódia 1.200 jovens, de 10 a 21 anos, nos 30 centros que administra, quatro deles para meninas, onde cuecas também terão que ser oferecidas para as internas que querem se sentir mais masculinas.

Segundo Carrión, que está há 18 meses à frente do departamento, 86% dos jovens detidos são latinos e afro-americanos.

A diretora do OCFS lembrou que os grupos que representam os interesses desses menores, assim como os familiares, criticavam há muito tempo a maneira como eles eram tratados nos centros de detenção, os serviços que recebiam, a falta de respeito que sofriam e o trauma com que ficavam.

Com as mudanças, os empregados dos 30 centros de detenção foram treinados para não discriminarem os internos, saberem como devem tratá-los e identificarem a sexualidade deles.

Embora a nova política se aplique a jovens que identificam a si mesmos como homossexuais, será uma comissão, também integrada por um psicólogo não ligado ao OCFS, que avaliará a real orientação sexual do menor.

As novas medidas foram elogiadas pela comunidade homossexual e por organizações como a National Gay and Lesbian Task Force e a Children's Defense Fund, para as quais as novas regras deveriam se estendidas a outros centros para jovens.

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