LONDRES (Reuters) - Dois em cada cinco meninos matriculados em escolas sul-africanas admitem já ter sofrido violações sexuais, segundo um estudo de uma revista a ser publicado na terça-feira. De acordo com o levantamento da revista BioMed Centrals International Journal for Equity in Health, as agressões partem principalmente de mulheres adultas. Colegas de escola vêm em segundo lugar.

'Este estudo revela um abuso sexual endêmico contra meninos do qual já se suspeitava, mas que era até agora mal documentado', escreveram Neil Andersson e Ari Ho-Foster, do Centro de Pesquisas de Doenças Tropicais, de Johanesburgo.

De acordo com eles, a pesquisa mostra a necessidade de se promover a conscientização contra a violência sexual na África do Sul, e mostra que o problema afeta gravemente os esforços contra a Aids no país, epicentro da epidemia global do vírus HIV.

'Crianças sexualmente abusadas também ficam mais propensas a adotar comportamentos de alto risco com relação ao HIV', escreveram os pesquisadores.

A pesquisa entrevistou 127 mil meninos de 10 a 19 anos em 1.200 escolas sul-africanas.

Entre os rapazes de 18 anos, 40 por cento disseram já ter sido obrigados a fazer sexo, e metade disse ter feito sexo consensual.

Cerca de um terço disse ter sofrido violação de outros homens, 41 por cento de mulheres adultas, e 27 por cento dizem ter sofrido abusos de homens e mulheres.

O estudo não avaliou o número de meninas que sofrem abusos sexuais.

(Por Michael Kahn)

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