Menino-bomba mata dezenas de soldados no Paquistão

Segundo Exército, garoto vestindo uniforme escolar detonou explosivos em área militar, deixando 31 mortos e 42 feridos

iG São Paulo |

Um atentado suicida deixou ao menos 31 mortos e 42 feridos em uma área militar na cidade de Mardan, no noroeste do Paquistão. Autoridades afirmam que o ataque foi realizado por um menino-bomba que usava um uniforme escolar.

O atentado ocorreu em uma área destinada para desfiles no Centro do Regimento Punjab do Exército paquistanês. O oficial da polícia Abdullah Khan disse que o jovem que realizou o ataque usava o uniforme da Escola Aziz Bhatti, próxima ao local.

AP
Motorista leva caixões para centro militar em Mardan, no Paquistão, onde ataque matou soldados

O menino-bomba acionou os explosivos às 8h (1h, horário de Brasília), enquanto diversos recrutas faziam treinamento físico, disse o policial. Há relatos de que o Exército do Paquistão descobriu na região campos secretos onde crianças entre 10 e 12 anos eram treinadas para realizar ataques suicidas.

O Taleban paquistanês assumiu o ataque, mas afirmou que o suicida era um soldado do próprio centro militar de Mardan. "Ele queria sacrificar sua vida pelo Islã", afirmou Ahsanullah Ahsan, porta-voz do grupo. "Aceitamos sua oferta e o orientamos a atacar seus colegas militares em Mardan."

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, classificou o atentando de "covarde". "Ataques covardes como este não podem afetar a moral das agências de segurança e a determinação da nação em erradicar o terrorismo", disse Gilani.

O Exército é alvo constante de ataques nesta região do Paquistão, onde o Taleban possui vários militantes. Outro atentado realizado no mesmo local, em 2006, matou 20 soldados. Em julho de 2010, um grupo de militantes escalou um muro na parte de trás da base militar para realizar um ataque com tiros e explosivos, mas foram rechaçados pela polícia e por soldados.

Ofensiva

O ataque ocorre dias depois de autoridades do país iniciarem uma grande ofensiva contra militantes islâmicos na região tribal de Mohmand, perto de Mardan, que é tradicionalmente um refúgio de militantes do Taleban e da Al-Qaeda. Milhares de moradores deixaram a área depois que o Exército usou helicópteros e armas pesadas para encurralar suspeitos.

O governo do Paquistão apoiou o Taleban quando o grupo estava no poder no Afeganistão, entre 1996 e 2001, mas tornou-se aliado dos Estados Unidos durante a invasão do país vizinho, logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Islamabad nega acusações de que esteja fazendo pouco para combater os militantes muçulmanos. O governo alega que mais de 2,4 mil soldados já morreram desde 2002.

Com BBC, AP, EFE e AFP

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