Menina é resgatada com vida após 60 horas soterrada na China

SÃO PAULO - As equipes de resgate retiraram uma menina de 11 anos dos escombros de uma escola de Yingxiu, cidade do sudoeste da China devastada pelo terremoto de segunda-feira, depois de passar 60 horas soterrada. As autoridades estimam que o número de mortos pode chegar a 50 mil.

Redação com agências internacionais |

Enquanto os socorristas removiam o concreto, o que demorou oito horas, a menina tentava acalmá-los, dizendo que estava bem. Ela contou que gritou bastante enquanto ouvia barulho de pessoas, mas que depois se calava para poupar energia.

Em meio ao aumento assustador no número de vitimas fatais do terremoto que abalou a China, casos milagrosos de sobrevivência trazem esperança às equipes de resgate . Já tendo passado mais de 72 horas desde o terremoto, as chances de encontrar sobreviventes começam a diminuir, e as autoridades consideram esses casos "milagres", segundo a agência de notícias estatal Xinhua.

Medo e destruição

"O número de mortos é calculados em 50.000", informou a televisão estatal, que menciona os últimos dados divulgados publicados pelo Centro Nacional de Resgate do governo.

O balanço anterior, divulgado nesta quinta-feira, registrava mais de 19,5 mil mortos na província e cerca de 27 mil soterrados nos escombros.

Reprodução/BandNews
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Menina que passou 60 horas soterrada antes de ser resgatada

As autoridades provinciais conseguiram convencer nesta quinta-feira cerca de 10 mil sobreviventes do terremoto para que não saiam da zona, após o rumor de que as fontes que fornecem a água de Chengdu, capital provincial, ficaram contaminadas após o terremoto.

Os relatos de destruição, no entanto, estão por todos os lados. Em outra cidade próxima ao epicentro, Mianzhu, pelo menos 4,8 mil pessoas estariam soterradas e vários deslizamentos de terras impedem o acesso ao local, segundo a Xinhua.

Em Dujiangyan, onde 900 estudantes foram soterrados pelos escombros da escola onde estavam no momento do terremoto e pelo menos 50 morreram, o correspondente da BBC, Michael Bristow, afirma que o cenário é de "caos organizado". Segundo Bristow, sobreviventes ainda atônitos perambulam pelas ruas vestindo pijamas, enquanto a polícia tenta organizar o trânsito.

De acordo com o correspondente da BBC, diversos tremores secundários foram registrados após o terremoto, e as pessoas ainda estão com medo de voltar para suas casas.

Bristow afirma que muitos estão preparados para passar uma segunda noite ao relento, sob a forte chuva que cai na região.

No condado de Beichuan, 80% dos prédios foram destruídos.

Em Shifang, duas fábricas de químicos desmoronaram e mais de 2 mil pessoas ficaram presas nos escombros. Cerca de 80 toneladas de material corrosivo vazaram, 6 mil pessoas tiveram de ser evacuadas e, segundo a Xinhua, 600 pessoas morreram.

No centro de pesquisas e reprodução de ursos panda de Wolong, em Wechuan, ainda não há relatos sobre o estado dos funcionários e dos turistas que estavam no local no momento do terremoto.

Também foram registradas mortes fora da província de Sichuan. A agência de notícias chinesa afirma que pelo menos 300 pessoas morreram em Gansu, Shaanxi e Chongqing.


Frente à situação na região, a China está enviando ainda mais tropas adicionais de 30 mil homens nesta quinta-feira para atuar na região do epicentro, que levarão comida, água e equipamentos.

O novo reforço se soma a dezenas de milhares de soldados que já se encontram na região do epicentro do tremor e lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e prover assistência a milhares de desabrigados.

De acordo com a coordenadora do Departamento de Sismologia chinês, Liu Yuchen, 82 pessoas foram resgatadas com vida na quarta-feira, entre elas uma grávida.

Helicópteros

Ainda nesta quinta-feira, militares chineses devem sobrevoar as zonas mais devastadas para lançar comida, remédios, roupas e cobertas para ajudar os desabrigados.

Os helicópteros são necessários porque muitas das estradas de acesso às cidades foram destruídas ou estão bloqueadas por deslizamento de terras.

Desde quarta-feira, todos os trens de passageiros estão recolhidos e as viagens suspensas para que se possa transportar pessoal e materiais para o esforço de resgate.

Atendendo ao apelo do governo chinês, milhares de pessoas em cidades como Pequim e Xangai fazem fila para doar sangue, dinheiro e mantimentos para os afetados pelo terremoto.

Reuters
Reuters
Vítima de terremoto é socorrida
A China disse ter alocado outros US$ 35 milhões nos esforços de resgate e ajuda às vítimas.

Ajuda

O governo chinês anunciou nesta quinta-feira que equipes japonesas especialistas em resgate serão enviadas ao país para ajudar a encontrar sobreviventes.

Agências de ajuda de Taiwan também estão enviando dois aviões carregados com mantimentos e equipamentos para resgate, além de voluntários.

Cerca de 150 toneladas de suprimentos - incluindo barracas, sacos de dormir e cobertores serão transportados nos dois primeiros aviões taiwaneses, doados por instituições de caridade e grupos religiosos.

Na quarta-feira, as autoridades chinesas estimaram que a situação no epicentro do terremoto seria "pior do que o esperado".

Dos 12 mil habitantes de Yingxiu, uma das cidades mais atingidas pelo abalo, apenas 3 mil sobreviveram.

Estradas obstruídas

Equipes especializadas continuam com os trabalhos de desobstrução e reparo das estradas bloqueadas por deslizamentos de terra.

Os arredores de Wenchuan são montanhosos, sendo difícil acessar os locais mais remotos.

Apesar de o Exército possuir homens e máquinas suficientes, o trabalho progride lentamente.

"Só é possível que uma máquina escavadeira trabalhe a cada vez", explicou Feng Zhenglin, oficial do ministério de Transportes.

A prioridade das equipes está concentrada em um raio de 50 quilômetros ao redor de Wenchuang.

(*Com informações da AFP, BBC Brasil e CNN)

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