O criminoso de guerra nazista Josef Mengele, conhecido o Anjo da Morte, hospedou-se durante oito dias na casa de um construtor alemão, em Nova Helvécia (norte do Uruguai), após se casar em 1958, tendo fugido para a Alemanha depois disso, contou à AFP o investigador Héctor Amuedo.

"Contrariamente ao que pensavam os moradores de Nova Helvécia e alguns pesquisadores, Joseph Mengele nunca viveu ali", disse Amuedo, que descobriu os documentos judiciais do casamento do nazista, em 25 de julho de 1958, com sua cunhada Marta María Will, nessa cidade localizada a 120 km de Montevidéu, e fundada por imigrantes alemães, austríacos e suíços.

"A pessoa confundida com Mengele foi um cidadão alemão de origem sueca, chamado Alex Pontvik, que nada teve com o nazismo", explicou.

"O Anjo da Morte só ficou em Nova Helvécia entre 17 de julho de 1958, quando registrou na 10ª Seção Judicial do departamento de Colônia as certidões para se casar, e 25 de julho, a data de seu casamento", acrescentou Amuedo.

O investigador revelou que Mengele ficou hospedado durante esses dias em uma fazenda próxima ao Hotel del Prado, atualmente propriedade de Gerardo Wullich, argentino de nascimento, mas com profundas raízes em Nova Helvécia, já que seu avô foi o primeiro fotógrafo da cidade.

Wullich comprou essa casa a conselho de um tcheco chamado José Marês, um grande afiador de pianos e virtuoso executor do instrumento, que imigrou para o Uruguai com a família, depois da Segunda Guerra Mundial. Segundo Amuedo, com a chegada dos comunistas ao governo da Tchecoslováquia, Marês teve sua loja de instrumentos musicais confiscada.

"Como precisava trabalhar para viver, Marês e sua mulher se tornaram camareiros da fazenda que, pelos anos 1950, era propriedade do senhor Rotzinger, um construtor de edifícios", assinalou.

"Marês, hoje falecido, relatou a Wullich que, naqueles dias de julho de 1958, Joseph Mengele esteve na casa, durante um tempo, como hóspede de Rotzinger e que, às tardes, servia chá a Mengele e a Rotzinger, acompanhados de suas respectivas esposas, em uma mesa de pedra, onde ainda se conversa, no jardim de frente da casa", disse o investigador.

Amuedo esclareceu que, naqueles anos, Mengele ainda "não era procurado nem mencionado pela imprensa, por isso, Ratzinger não tinha como conhecer seu passado sinistro".

Mengele fizera experiências médicas com judeus e ciganos no campo de extermínio de Auschwitz e enviou dezenas de milhares de presos para as câmaras de gás durante a Segunda Guerra. Terminado o conflito, ele fugiu para a América do Sul.

Morreu afogado, em 1979, em uma praia de Beritoga, em São Paulo, e está enterrado no cemitério de Embu. Testes de DNA realizados em seu filho Rolf, em 1992, confirmaram sua identidade.

Agora, Amuedo quer reconstituir a passagem de Mengele pela região e seu retorno à Alemanha, já que ele não fugiu para outro país sul-americano, e sim para o europeu.

"Estaríamos perto de localizar seus últimos vestígios no Rio da Prata, e a fuga do Anjo da Morte teria sido pelo território uruguaio", disse Amuedo.

"As peças do quebra-cabeça começam a se encaixar. Logo, teremos tudo montado", completou.

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