Meném responderá por irregularidade em investigação de terrorismo

Buenos Aires, 13 nov (EFE).- Um juiz argentino decidiu hoje intimar o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) a depor como suspeito de irregularidades na investigação do atentado contra uma associação judaica cometido durante seu Governo.

EFE |

Atendendo a um pedido do promotor Alberto Nisman, o magistrado Ariel Lijo também initmou a depôr o ex-chefe do serviço secreto Hugo Anzorreguy, Juan José Galeano, o juiz exonerado que averiguou o ataque terrorista, e outros cinco acusados, informaram fontes judiciais.

O cronograma dos depoimentos, que também inclui o irmão do ex-presidente, Munir Menem, será definido nos próximos dias e deve começar em dezembro.

A resolução do juiz Lijo "é um avanço importantíssimo" para a investigação sobre a explosão da sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, que matou 85 pessoas e feriu outras 200, assegurou Nisman.

Em maio, o promotor tinha pedido ao juiz Lijo que ordenasse a detenção de Carlos e Munir Menem, além de Anzorreguy e Galeano, pelas supostas irregularidades cometidas na investigação sobre o atentado, que ainda permanece impune.

Nisman denunciou um "plano deliberadamente idealizado a fim de proteger que desde o início aparecia como um dos principais suspeitos, Alberto Kanoore Edul", que, segundo as investigações, teria planejado o atentado junto ao ex-adido cultural da embaixada iraniana em Buenos Aires, Moshen Rabbani.

Para o promotor, houve uma "ordem direta do mais alto escalão do Governo de Carlos Menem e sua efetiva concretização não seria possível sem a conivência e o acato de diferentes funcionários públicos".

Ariel Lijo investiga possíveis irregularidades cometidas por Galeano ao instruir a causa do atentado contra a Amia até que foi exonerado como juiz em 2005 "por mau desempenho".

O juiz sentenciou um embargo milionário e processou Galeano por desvio de fundos, coação reiterada, falsidade ideológica e prevaricação, acusações que foram confirmadas por um tribunal de apelações no ano passado.

Ele também está processado Anzorreguy, quem admitiu ter dado, como chefe do serviço secreto, US$ 400 mil dólares a Galeano, que, por sua vez, entregou o dinheiro a um terceiro para que incriminasse a policiais no ataque contra a instituição judaica.

Carlos Telleldín, que Galeano mantinha detido sob acusação de cumplicidade no atentado e agora é outro dos processados por Lijo, foi quem recebeu o dinheiro.

Ao todo, 22 pessoas, entre elas Telleldín e diversos ex-policiais, acusados de cumplicidade no atentado da Amia, foram absolvidos por falta de provas em setembro de 2004, após quase três anos de julgamento oral, o que escandalizou a opinião pública e abriu o processo pelo que se destituiu a Galeano.

O ataque à Amia foi o segundo dos ataques terroristas contra alvos judeus na Argentina, após o atentado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires, cometido em 17 de março de 1992 e que causou a morte de 29 pessoas.

Ambos os atentados foram atribuídos a organizações terroristas islâmicas e a justiça argentina pediu a captura de oito iranianos, entre eles o ex-presidente Hashemi Rafsanjani, solicitação que foi rejeitada pela nação islâmica. EFE hd/jp

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