Menem é processado por encobrir investigações sobre atentado

Buenos Aires, 22 mar (EFE).- Um tribunal da comarca de Buenos Aires confirmou hoje o processo contra o ex-presidente da Argentina Carlos Menem (1989-1999) por suposto encobrimento da investigação do atentado contra um centro judaico em 1994 que matou 85 pessoas.

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Além de Menem, a Câmara Federal confirmou as ações contra o seu irmão Munir Menem e o ex-juiz Juan José Galeano, que dirigiu as investigações do ataque terrorista durante uma década.

Também foram confirmados os processos contra os ex-comissários Jorge Palacios e Carlos Castañeda, assim como contra os ex-funcionários do serviço secreto Hugo Anzorreguy e Juan Carlos Anchezar.

Todos haviam recorrido da medida ditada pelo juiz Ariel Lijo em outubro do ano passado. O magistrado considerou que eles "obstruíram a investigação da chamada pista síria" do atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), cometido no dia 18 de julho de 1994.

Segundo as fontes, os processados são acusados de ter desviado a investigação para não comprometer o empresário de origem sírio-libanesa Alberto Kanoore Edul, que antes do atentado entrou em contato por telefone com o vendedor da caminhonete que foi usada como carro-bomba.

O empresário não está entre os acusados e a causa principal, hoje em mãos do juiz Rodolfo Canicoba Corral, está voltada para a 'pista iraniana'.

O ex-chefe de Estado e seu irmão foram processados por serem considerados "instigadores dos delitos de encobrimento, falsidade ideológica, violação de provas e abuso de autoridade".

Um dia depois que Lijo anunciou as ações, o promotor Alberto Nisman pediu a prisão de Carlos Menem. No entanto, isto só irá acontecer se o Parlamento tirar previamente os privilégios do atual senador.

O atentado contra a Amia foi o segundo ataque terrorista contra judeus na Argentina. Em 1992, uma bomba explodiu em frente à embaixada de Israel em Buenos Aires e causou a morte de 29 pessoas.

A comunidade judaica e a Justiça da Argentina atribuem ao Irã e ao grupo terrorista Hisbolá o planejamento e execução de ambos os atentados. EFE cw/pb/bba

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