Memórias de Saddam poderiam chegar a livrarias até o final do ano

Amã, 7 mai (EFE) - As memórias do ditador iraquiano Saddam Hussein, junto a seus poemas inéditos, poderiam ser publicadas no final do ano, antecipou hoje à Agência Efe seu antigo advogado Khalil Dulaimi.

EFE |

"Estou escrevendo suas memórias e o texto poderia ser publicado no final deste ano ou no início de 2009", explicou Dulaimi à Efe em Amã, onde fica seu escritório.

O advogado comandou os defensores de Saddam durante o processo que culminou com sua condenação à morte, executada em 30 de dezembro de 2006.

O texto definitivo, como disse Dulaimi, terá três partes: a primeira incluirá suas memórias escritas, a segunda será baseada em conversas entre o advogado e o ex-ditador e a terceira será uma recopilação de seus poemas inéditos.

Saddam, que foi detido perto de Tikrit em 13 de dezembro de 2003, dedicou grande parte de seu tempo na prisão a ler o Corão e a escrever poesia, contaram as pessoas que tiveram acesso ao ditador durante sua reclusão.

"O livro se baseia nas memórias que ele escreveu durante 2006 na prisão de Bagdá, assim como nas conversas que mantivemos durante nossos encontros em 2004 e 2005", explicou o jurista.

Saddam, segundo Dulaimi, pensou desde o primeiro momento em escrever sua vida, já que sabia que depois de ter sido detido, certamente seria executado.

No entanto, não descartou que os Estados Unidos tenham alterado o texto original escrito por Saddam, já que lembrou que os guardas que vigiavam o ex-ditador impediram que este enviasse mensagens ao exterior até 2006.

Apesar disso, esse ano o ex-governante iraquiano foi autorizado a entregar cerca de 400 folhas a Dulaimi, nas quais tinha escrito à mão suas memórias.

"Antes disso, só conto com as palavras que pronunciou para mim", insistiu o letrado.

Dulaimi fez as declarações um dia depois que o jornal árabe "Al-Hayat" publicou, em dois capítulos, os diários pessoais de Saddam enquanto esteve recluso no centro de detenção de Cropper, perto do aeroporto de Bagdá.

Segundo o jornal, o ex-ditador pediu permissão a seus guardiães para se casar de novo e ter descendência que substituísse seus filhos e netos mortos. EFE am/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG