Makoto Hirata esteve envolvido no seqüestro e morte do irmão de uma seguidora da seita Aum Shinrikyo

Makoto Hirata (na foto, abaixado entre dois policiais), membro da seita Aum Shinrikyo, se entregou neste domingo após 17 anos
AP
Makoto Hirata (na foto, abaixado entre dois policiais), membro da seita Aum Shinrikyo, se entregou neste domingo após 17 anos
O membro de uma seita apocalíptica que foi responsável por um ataque de gás no metrô de Tóquio, entre outros crimes, se entregou à polícia após estar foragido por 17 anos, anunciou a polícia japonesa.

Makoto Hirata, da seita Aum Shinrikyo, é acusado de participar, com outros membros, de um seqüestro de um tabelião em 1995 e causar sua morte. A vítima, Kiyoshi Kariya, na época com 68 anos, era irmão de um seguidora que queria sair do grupo.

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Hirata, 46 anos, foragido desde então, se entregou em uma delegacia em Tóquio e foi preso na manhã deste domingo (1°), disse um policial sob condição de anonimato.

O culto também espalhou gás sarin no metrô da capital japonesa em 1995, matando 13 pessoas e ferindo mais de 6.000, no que é considerado o maior ato de terrorismo doméstico da história do Japão.

A seita tinha um arsenal de armas químicas e biológicas, bem como convencionais, se preparando para um confronto apocalíptico com o governo japonês.

De acordo com a polícia, Hirata e outros seguidores da Aum Shinrikyo seqüestraram Kariya em uma rua de Tóquio e o confinaram na sede do grupo, aos pés do monte Fuji. Eles teriam usado anestésicos para forçar Kariya a falar sobre a irmã, que teria fugido da seita após ter sido pressionada a doar um terreno de sua propriedade. A vítima acabou morrendo por overdose dos remédios.

De acordo com relatos do tribunal, os membros da seita teriam queimado o corpo de Kariya em um incinerador e jogar suas cinzas em um lago próximo, para se livrar das provas.

De acordo com a rede de TV NHK, Hirata disse à polícia que “queria colocar o passado para trás”. Ele tinha consigo uma mochila com itens essenciais básicos e moeda japonesa no valor de algumas centenas de dólares.

De acordo com seu testemunho, ele teria apenas levado Kariya à sede da Aum Shinrikyo e negou as outras acusações, ainda segundo informações da NHK.

Hirata era um dos três últimos membros da seita que ainda não haviam sido presos. Outros dois ainda estão foragidos. Ele também é suspeito de estar envolvido no tiroteio que quase matou o chefe da polícia japonesa na época, mas o caso foi fechado no ano passado por ter expirado, de acordo com as leis do país.

Quase 200 seguidores da Aum Shinrikyo foram condenados pelo caso do gás sarin, bem como mais de uma dezena de outros crimes. Treze deles, incluindo o líder da seita Shoko Asahara, estão no corredor da morte. Ninguém ainda foi executado.

A prisão de Hirata pode resolver algumas dúvidas que ainda perduram na investigação sobre a Aum Shinrikyo. “Como membro da família da vítima, eu só quero saber a verdade,” afirmou o filho de Kariya, Minoru, em uma entrevista à TV. “Espero que esta nova testemunha possa trazer mais informações”.

A seita, agora chamada de Aleph, já teve 10.000 seguidores no Japão e outros 30.000 na Rússia. Atualmente, ainda é acompanhada de perto pela polícia.

(Com informações da AP)

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