Melancolia toma Casa Branca nos últimos dias de Bush no poder

Macarena Vidal. Washington, 8 dez (EFE).- Ainda restam pouco mais de 40 dias para que o presidente dos Estados Unidos, George W.

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Bush, entregue o poder para seu sucessor, Barack Obama, mas a melancolia já se apodera da Casa Branca.

Nesta segunda-feira, Bush deve ir à CIA (agência de inteligência americana) para se reunir com os funcionários e agradecer por seu serviço durante os oito anos em que esteve à frente do país.

Trata-se de mais uma de diversas reuniões similares que Bush já manteve com os funcionários do Departamento de Estado e do Partido Republicano, para se despedir e fazer um balanço de seu Governo.

Nas últimas semanas, o presidente, que deixará o poder em 20 de janeiro, apresentou um tom cada vez mais nostálgico em seus discursos públicos.

Nesta sexta-feira, por exemplo, pronunciou um discurso sobre o Oriente Médio no qual repassou as conquistas e os fracassos de seu mandato, com um tom surpreendentemente introspectivo.

"Nem todas as decisões que adotamos foram populares, mas a popularidade nunca foi nosso objetivo. Nosso objetivo foi ajudar uma região afligida a dar os primeiros passos, difíceis, no longo caminho rumo à liberdade", afirmou Bush.

Em uma entrevista ao jornalista Charles Gibson, da rede de televisão "ABC", o chefe de Estado que há alguns anos era incapaz de mencionar um só erro que tivesse cometido em sua gestão, admitiu também que "não estava preparado para a guerra" no Iraque e no Afeganistão.

Em reunião no final de novembro em Lima com o presidente chinês, Hu Jintao, Bush confessou que se sentia "nostálgico" naquela sua última viagem internacional como presidente.

Esse sentimento parece ter se estendido a toda a Casa Branca, inclusive à primeira-dama, que esta semana admitiu certa melancolia em declarações à imprensa.

"Entristece-me deixar todas as pessoas de quem gosto e com as quais pude fazer amizade durante os anos que vivi aqui.

Entristece-me deixar esta bela casa", admitiu Laura Bush que, no entanto, ressaltou que após oito anos no número 1600 da Avenida Pennsylvania "sabe que chegou o momento" de ir embora.

Talvez, o momento da verdade tenha ocorrido durante a visita de Obama e sua esposa, Michelle, à Casa Branca, após as eleições do dia 4 de novembro. O presidente em fim de mandato e seu sucessor se reuniram a sós para tratar sobre questões políticas, mas Bush e a primeira-dama também mostraram a residência a seus sucessores.

Laura Bush admitiu que a experiência foi "nostálgica", ao se lembrar de quando ela fez a mesma visita guiada por sua antecessora, Hillary Clinton.

A primeira-dama disse que recomendou a Michelle olhar por uma janela para ver o Salão Oval, da mesma forma que Hillary fez com ela.

No entanto, a melancolia não aparece apenas nos discursos, mas também é percebida nas pequenas cenas cotidianas na Casa Branca.

Se no passado os jornalistas se amontoavam na pequena sala de imprensa da ala oeste para assistir às coletivas de imprensa, agora apenas alguns assistem aos comparecimentos diários da porta-voz Dana Perino e de seus assistentes.

Cada funcionário é consciente de quantos dias, exatamente, restam para que o novo Governo tome posse.

E se chegassem a esquecer, a fadiga que provém do exterior da Casa Branca trataria de lembrá-los.

Há semanas, os operários trabalham em frente à fachada norte do edifício, em plena Avenida Pennsylvania, para construir as tribunas que permitirão presenciar a comitiva presidencial após a cerimônia de posse no Capitólio em 20 de janeiro.

Segundo Perino, certo sentimento de tristeza "é inevitável quando se aproxima do final".

No entanto, a porta-voz ressalta que "cada vez que alguém pensa que pode ceder à reflexão e à nostalgia, algo acontece", como ocorreu nas vésperas do dia de Ação de Graças, quando um grupo de terroristas provocou uma onda de atentados em Mumbai (ex-Bombaim).

"O trabalho na Casa Branca não acaba nunca", frisou. EFE mv/ab/rr

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