Medvedev volta a defender ampliação de mandato presidencial

Moscou, 18 nov (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, defendeu hoje a reforma da Constituição, que inclui ampliação de quatro para seis anos o atual mandato presidencial.

EFE |

"As propostas formuladas não foram espontâneas, mas elaboradas (...) comecei a pensar nelas há cinco anos, sem supor que poderia aplicá-las na prática", assegurou às agências russas durante uma viagem pela região dos Urais.

Medvedev considera que "seria útil fortalecer a autoridade dos que estão no poder" na atual fase de desenvolvimento político e econômico da Rússia.

A ampliação do mandato presidencial proposta por Medvedev em seu primeiro discurso sobre o estado da nação disparou os rumores sobre o possível retorno ao poder do atual primeiro-ministro Vladimir Putin.

No entanto, Putin, que respaldo a reforma, negou que as emendas tenham uma "dimensão pessoal".

Outros analistas apontam que as emendas buscam fortalecer a figura do presidente precisamente em um momento em que a crise financeira global afetou seriamente a economia nacional.

As outras duas emendas propostas por Medvedev referem-se ao aumento de quatro para cinco anos a legislatura da Duma (Câmara dos Deputados); e a tornar obrigatória a prática, atualmente inexistente na Rússia, de submeter anualmente a gestão do Gabinete de Ministros ao controle do Legislativo.

Embora essas duas remodelações aumentem as atribuições da Duma, Medvedev negou que a Rússia vá se transformar em uma república parlamentar.

"A Rússia nunca se transformará em uma república parlamentar, já que seria nosso final", comentou, ressaltando a conveniência de que as eleições presidenciais e parlamentares não coincidam no tempo.

Medvedev ressaltou que a Rússia é "uma república presidencialista", embora as remodelações "de alguma forma, reforçam as faculdades da Duma e lhe dão alavancas adicionais para o controle de decisões do Executivo".

A Duma votará amanhã, em segunda e terceira discussões as emendas constitucionais propostas por Medvedev, duramente criticadas pela oposição liberal.

Em todo caso, o partido do Kremlin, Rússia Unida, controla mais de dois terços das cadeiras, o que torna quase certa sua aprovação.

Putin, presidente entre 2000 e 2008, sempre se negou a modificar a Constituição, especialmente no referido a permitir três mandatos presidenciais consecutivos, com o argumento que poderia pôr em risco a estabilidade do país.

Caso sejam aprovadas, as propostas do presidente russo seriam as primeiras emendas à lei fundamental pós-soviética, desde sua aprovação por plebiscito, em 1993. EFE io/jp

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