Medvedev viaja ao Cáucaso e pede frente internacional contra terrorismo

Ignacio Ortega. Moscou, 1 abr (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, realizou hoje uma viagem surpresa ao Cáucaso Norte e pediu à comunidade internacional uma frente comum contra o terrorismo, após a série de brutais atentados suicidas que castigaram este país.

EFE |

"Todos os países que lutam atualmente contra o terrorismo devem estudar quais são os métodos aceitáveis para combater o terror", assinalou Medvedev durante uma reunião com os líderes das repúblicas russas da região.

Medvedev, que viajou para Mahatchkala, capital do Daguestão, que tirou da Chechênia o posto de república mais explosiva da região, defendeu a "ampliação da lista de métodos para combater o terrorismo".

"Em princípio, poderíamos realizar modificações muito importantes para que sejam efetivas. Os métodos devem ser não só mais eficazes, mas mais firmes, até mais cruéis, e preventivos, para evitar atentados terroristas", disse.

O chefe do Kremlin se reuniu com os líderes das repúblicas da região para pedir uma ação mais dura contra a guerrilha islâmica, que pôs em xeque esta semana as autoridades russas.

"Nos últimos dias, recebi a ligação de vários líderes de países que sofrem com o terrorismo para mostrar sua solidariedade, mas a principal responsabilidade recai sobre nós", disse.

Na segunda-feira, dois atentados suicidas perpetrados na hora do rush em duas estações centrais do metrô de Moscou deixaram 39 mortos e mais de 70 feridos, e provocaram uma condenação unânime da comunidade internacional.

Antes de os russos superarem o choque das explosões no metrô, outros dois atentados suicidas castigaram ontem a cidade de Kizliar, no Daguestão, matando nove policiais e um transeunte.

Medvedev destacou que os corpos de segurança conseguiram nos últimos meses "arrancar a cabeça dos bandidos mais odiosos", e prometeu "encontrar e punir todos" os terroristas.

Hoje mesmo o Serviço Federal de Segurança (FSB), principal órgão encarregado da luta antiterrorista, informou que já identificou os organizadores desses atentados suicidas procedentes do Cáucaso Norte.

"Confirmamos a versão de que os atos terroristas foram cometidos por grupos concretos vinculados com o Cáucaso Norte. Conhecemos pessoalmente os organizadores", declarou Aleksandr Bortnikov, o diretor do FSB.

Bortnikov acrescentou que "foram realizadas operações de busca e já foram detidas diversas pessoas que estão sendo interrogadas".

O líder da guerrilha separatista islâmica da Chechênia e o Cáucaso Norte, Doku Umarov, reivindicou em um vídeo divulgado na véspera no "YouTube" a autoria dos atentados do metrô de Moscou e prometeu estender a guerra por toda a Rússia.

"As 'operações especiais' foram realizadas por ordem minha e não são as últimas", afirma Umarov, que se declara emir do "Emirado do Cáucaso", e que ressaltou que o objetivo dos atentados era "exterminar infiéis" e "enviar uma saudação" ao FSB.

Na mensagem de pouco mais de quatro minutos gravada em uma floresta, Umarov afirma que os ataques de Moscou são uma vingança pelo "atroz massacre" de 11 de fevereiro na fronteira da Inguchétia com a Chechênia de um grupo de civis que colhiam alho-silvestre para vender.

As autoridades afirmam que naquele dia quatro civis morreram em um fogo cruzado entre forças especiais e um grupo rebelde, mas os moradores denunciam que o número de mortos foi muito maior, que havia marcas de tortura e que alguns foram degolados com arma branca.

Os atos terroristas no Cáucaso aumentaram desde que o Comitê Nacional Antiterrorista da Rússia colocou fim, há um ano, ao regime de operação antiterrorista vigente na Chechênia imposto em outubro de 1999 pelo então presidente e atual primeiro-ministro, Vladimir Putin. EFE io/mh

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