Medvedev viaja a Washington para reivindicar nova ordem financeira mundial

Moscou, 14 nov (EFE).- A Rússia participa da Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) em Washington para exigir uma nova ordem econômica global que exclua todo tipo de hegemonias a fim de superar a crise financeira mundial, pela qual responsabiliza diretamente os Estados Unidos.

EFE |

"A disparidade entre o papel formal dos EUA no sistema econômico mundial e suas capacidades reais está no centro da crise atual", declarou o presidente russo, Dimitri Medvedev, em junho último, quando as turbulências financeiras internacionais ainda não atingiam diretamente seu país.

Até então, muitos em Moscou ainda acreditavam que a Rússia, apoiada por suas riquezas na área de hidrocarbonetos, conseguiria manter-se à margem das dificuldades financeiras mundiais.

A Rússia, disse o chefe do Kremlin em um fórum econômico em São Petersburgo, está consciente de sua "responsabilidade" no destino da economia mundial e deseja "participar da formação das novas regras do jogo, e por certo, sem nenhuma ambição imperialista".

Na época, o primeiro-ministro Vladimir Putin encorajava os homens de negócios russos a aproveitarem a crise e a falta de liquidez para ampliar sua presença nos mercados ocidentais.

O presidente do consórcio energético Gazprom, Alexei Miller, chegou a prever que até o fim do ano o barril de petróleo subiria até US$ 250.

Depois ocorreriam queda nos preços da commodity, a depreciação da moeda russa - o rublo -, fuga de capitais, queda da Bolsa, diminuição das reservas internacionais e, finalmente, a compreensão de que a crise finalmente havia chegado à Rússia.

Em seu discurso sobre o Estado da União, no início deste mês, Medvedev voltou a atribuir aos EUA a responsabilidade pela crise mundial e destacou que a Rússia "não permitirá o predomínio individual de um país em nenhuma esfera".

Segundo o presidente russo, a crise começou com "uma emergência no mercado interno americano", mas "ao estar estreitamente vinculada aos mercados de todos os países desenvolvidos, e sendo a mais forte, a economia dos EUA arrastou os demais mercados financeiros".

Medvedev opinou que a queda da União Soviética levou as autoridades americanas a acreditarem que eram infalíveis e a "cometerem graves erros no âmbito econômico".

Como conseqüência, disse, "inflaram a bolha financeira para estimular seu próprio crescimento, menosprezando o mais elementar sentido do comedimento".

"(Os EUA) ignoraram as múltiplas advertências de seus parceiros, incluindo as nossas, e nem se dignaram sequer a coordenar suas decisões com os demais protagonistas dos mercados globais", acrescentou Medvedev.

A Rússia espera o apoio dos países da União Européia (UE) a sua proposta de "fortalecer a estabilidade do sistema econômico global mediante a formação de múltiplos centros financeiros mundiais e a aparição de novas divisas de reserva".

Neste sentido, Medvedev antecipou uma proposta para transformar a moeda nacional russa em unidade de pagamentos no comércio internacional, pelo menos no âmbito regional.

Em discurso recente no Parlamento russo, o chefe do Kremlin pediu que fossem dados "passos práticos para consolidar o papel do rublo como uma das divisas nas operações internacionais".

A medida inscreve-se no objetivo anunciado por Medvedev de criar na Rússia um novo centro financeiro mundial que "deverá ser o núcleo do sistema financeiro russo, independente e competitivo".

Segundo o presidente russo, "as instituições financeiras mundiais devem ter possibilidades reais e prevenir o surgimento de crises, minimizando suas conseqüências para o resto do mundo". EFE bsi/fr/mh

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